XII Seminário Anual Pensar a Educação, Pensar o Brasil

– 2019 –

“Educação no Brasil, tradições democráticas”

A educação nas Constituições outorgadas: diferenças e semelhanças com tendências atuais
Carlos Roberto Jamil Cury (UFMG/PUC-Minas)
04/04/2019
A partir de de uma leitura do direito à educação no Brasil através dos tempos, o professor Carlos Roberto Jamil Cury destacou a necessidade de se pensar o lugar em que os processos educativos se estabeleceram na construção da nação. Segundo o professor, em toda nossa história, a democracia e o autoritarismo vivem em tensão. Esse movimento estabelece pontos de atenção para aqueles que se dispõem a pensar a Educação no nosso país. A Democracia,  por ser democracia, permite o aparecimento de tendências desconstruidoras dos direitos e garantias consagrados, seja por conta de posições historicamente arraigadas em nosso país, seja por outras, herdadas mais recentemente, das ditaduras, seja por formações genéricas que que expressam ambiguidades.

O Projeto Reacionário de Educação
Luiz Antônio Cunha (UFRJ)
25/04/2019
O professor Luiz Antônio realizou uma reflexão sobre a educação, e especialmente as instituições escolares, a partir da observação de um movimento que pretende conter os processos de secularização da cultura e de laicidade do Estado no Brasil. Ele ponderou sobre o processo reacionário em curso no país que, com a intenção de “regenerar a moral da sociedade”, nega o presente que vivemos e ainda compreende o futuro como algo ameaçador, e, portanto deseja voltar ao passado. Ele destacou ainda que o projeto reacionário em curso não tem uma instituição ou “cérebro” que dirija e organize sua execução. O conceito de cultura é importantes para observar esse cenário, sendo que ela está sempre em mudança e acarreta tensões sociais. 

 

Educação, do privilégio ao direito: o que os movimentos sociais têm a dizer sobre as lutas de ontem e as conquistas de hoje?
Licinia Maria Correa (UFMG)
23/05/2019
A professora Licinia Maria Correa baseou sua palestra na ideia da educação como direito e como os movimentos sociais lutam no sentido de garantir não só o que está previsto em lei, mas também estabelecendo condições de vivencia desses direitos. Sua vivência desde a infência foi a base da fala da pesquisadora para pensar como uma visão legalista sobre o direito à educação é insuficiente para promovê-la. Para ela o direito, determinado por lei homogeniza o direito, mas não atende às necessidades complexas e específicas de diferentes grupos. “Cada grupo social e suas singularidades estão sob a determinação do fenômeno jurídico que é de uma sociabilidade burguesa e suas formas de regulamentação da sua vida social.”

Educação no Brasil: Tradições Autoritárias
Miguel Arroyo Gonzalez (UFMG)
27/06/2019
O pesquisador buscou refletir sobre o papel atribuído à educação na construção de um ambiente democrático e lembrou que muito se fala sobre democracia, mas é urgente uma narrativa que exponha como nossa educação e história são marcadas por tradições autoritárias. Miguel lembra que a democratização do acesso à educação não é garantia de que teremos uma sociedade democrática, principalmente por que as elites que regem política e economicamente a sociedade impõem barreiras para que grupos externos a essa elite cheguem ao poder. “Nossa educação não conseguiu ser tão democrática quanto sonhou ser porque as tradições autoritárias se impuseram” relatou. Para ele, falar de educação é falar de justiça. Não apenas isso, a educação precisa falar de justiça, e principalmente as injustiças sociais.