Porque os conservadores odeiam Paulo Freire?

Em conferência em Belo Horizonte, Fernando Penna (UFF) apresentou várias faces da luta constante pela democratização da escola a partir da obra de Paulo Freire

Na última quinta feira, dia 28 de novembro, o Pensar a Educação, Pensar o Brasil realizou a oitava conferência do Seminário Anual do projeto que em 2019 abordou o tema “Educação no Brasil: tradições democráticas”. A última conferência do ano contou com a presença do professor Fernando Penna, da Universidade Federal Fluminense, que discutiu a ‘educação democrática’, tanto como uma bandeira política atual, para marcar um novo momento na luta constante pela democratização da escola, quanto como um conceito analítico para embasar pesquisas acadêmicas.

O pesquisador, que é coordenador do Movimento Educação Democrática iniciou a palestra “Educação Democrática: a luta constante pela democratização da escola” pensando sobre o conservadorismo.  A partir das perspectivas de diversos autores, Penna destacou a postura do conservadorismo de reação às mudanças e no esforço para fazer as lutas democráticas retrocederem. Para ele, as conquistas democráticas alcançadas no Brasil, são o motivo para o crescimento do conservadorismo, pois tais conquistas afetaram privilégios de certos grupos sociais no país. A partir desta leitura a respeito do movimento conservador e seu relacionamento com a educação o professor comentou os históricos do conceito conhecido como ‘ideologia de gênero’, do projeto ‘Escola Sem Partido’ e do termo ‘marxismo cultural’. O professor destacou como tais ideias afetam diariamente a prática de professores em todo país, desde uma censura externa até a autocensura. O cenário levou a um processo de ódio aos professores.

Depois de expor o cenário brasileiro o professor propôs uma discussão a partir da obra de Paulo Freire. A intenção era compreender não só o movimento conservador, mas também os princípios da Educação Democrática. Para Fernando, o discurso contrário a Paulo Freire e sua obra não se trata de uma crítica e uma leitura do trabalho do pedagogo à luz da atualidade, mas um ataque puro e simples, sem nenhum embasamento.

O professor seguiu a discussão evocando vários textos de Freire, especialmente a Pedagogia do Oprimido e as leituras que o próprio pedagogo fez ao longo de suas pesquisas. Penna destacou o esforço do autor de superar a dicotomia entre educador(a) e educando(a). No pensamento da Educação como prática da liberdade, defendida por Freire, Fernando destacou o lugar do pensamento freiriano na busca por uma educação dialógica, onde se valorizam os processos e as mudanças.

Por fim, baseado no livro Pedagogia da Esperança, Fernando Penna lembra que a democratização da escola pode ser um fator de democratização da sociedade. Não é necessário esperar processos democráticos sociais para empreender processos de democratização nos currículos. O professor destacou alguns pontos fundamentais para pensar a educação democrática. Um deles é a justiça, socioambiental, pensando em Educação para Direitos Humanos e educação ambiental. No campo da Escola, ele destaca a importância da democracia radical e plural que se reflete em gestão democrática e na laicidade das instituições. Mais precisamente na sala de aula, o professor defende a interseccionalidade na discussão de gênero, raça e classe, e na pedagogia decolonial para pensar as relações de poder e trabalho em nossa realidade.

Confira a palestra na integra: