Diálogos entre Universidade e Escola Básica: aproximação entre espaços de atuação – Elaine Teixeira Pereira

Diálogos entre Universidade e Escola Básica: aproximação entre espaços de atuação

Elaine Teixeira Pereira

No final do ano de 2011, a equipe do Pensar a Educação Pensar o Brasil ganharia novos integrantes. Devido ao convite do professor Luciano Mendes de Faria Filho à professora Maria das Dores Daros, um grupo de alunas e professoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) ingressaria no então Projeto – hoje Programa de Pesquisa – Moderno, Modernidade, Modernização: a educação nos projetos de Brasil – séc. XIX e XX, vinculado ao Pensar. E assim, poucos meses após o ingresso no curso de Mestrado em Educação da UFSC, passei a integrar a “bancada catarinense” que na ocasião se unia aos mineiros.

As preocupações em torno da formação docente advindas de minha trajetória – curso de Pedagogia, habilitação em Supervisão Escolar, docência nos anos iniciais do Ensino Fundamental e no curso de Magistério (nível médio), coordenação pedagógica na Educação Básica, pesquisa sobre a formação de professores em perspectiva histórica – passaram, a partir de então, a ser alimentadas com uma série de outras leituras, aulas, eventos científicos, parcerias de pesquisa e… as experiências circunscritas pelas atividades do Pensar. O contato com a forma de condução de tal projeto, que numa espécie de guarda-chuva abrigava tantos outros, assim como as linguagens aí utilizadas (um programa de rádio!), despertaram em mim ainda maiores inquietações, assim como o desejo pela ação. 

O momento também contribuiu: o curso de Mestrado chegava ao fim e o retorno à escola de Educação Básica da qual havia me afastado para formação, aproximava-se. Mas, como voltar ao “chão da escola” e abandonar a Universidade? O jeito seria manter uma “vida dupla”: permanecer vinculada às atividades acadêmicas, ao mesmo tempo em que continuar ensinando e aprendendo no e com o cotidiano escolar. 

Foi em decorrência desta aproximação entre espaços de atuação – e alimentada pelas iniciativas do projeto que hoje mantém o boletim semanal para o qual escrevo o presente texto – que foi gestada a atividade de extensão intitulada Diálogos entre Universidade e Escola Básica: pensando a docência e a formação da infância a partir da História e da Sociologia da Educação. Vinculada ao Grupo de Pesquisa Ensino e Formação de Educadores em Santa Catarina (Gpefesc), em parceria com o Aruana Instituto de Eco Formação, a iniciativa visava oportunizar a professores/as da Educação Básica o contato com conhecimentos recentemente gestados em âmbito acadêmico, especificamente nas áreas de História e Sociologia da Educação. A forma? Nada revolucionária: encontros mensais noturnos para a discussão de teses e dissertações de integrantes do Gpefesc, notadamente algumas das que tomavam como mote a docência e a escolarização da infância. 

As inúmeras demandas do cotidiano escolar, na maioria das vezes, não permitem que reservemos um tempo para estudos e aprofundamentos, tão caros ao trabalho docente. Isso se agrava (pelo menos na realidade das instituições que venho frequentando nos últimos anos) se estiverem em pauta os conhecimentos advindos das ciências que embasam a educação, como é o caso da História e da Sociologia. A partir de “certezas” quanto a serem muito “teóricos” ou não imediatamente aplicáveis na prática pedagógica, tais conhecimentos, via de regra, são rechaçados, protelados, mal tratados – para além da formação continuada de professores, também nos cursos de Graduação. 

Na contracorrente de tais “certezas”, partindo da importância da História e da Sociologia na preparação dos professores e concebendo que podem sim fornecer valiosos subsídios ao trabalho docente, inseriu-se a proposta do citado curso de extensão. As situações de estudo, discussão e reflexão foram, então, acompanhadas por um grupo de um pouco mais de 30 professoras atuantes em instituições de Educação Infantil e Ensino Fundamental, públicas e particulares de Florianópolis/SC. Institucionalmente, o curso foi assinado pelas Profas. Dras. Ione Ribeiro Valle e Maria das Dores Daros, do Gpefesc/UFSC, e coordenado pelo doutorando Tiago Ribeiro Santos e por mim. Ao final tivemos bons retornos das professoras participantes, além da alegria em perceber novas questões, dúvidas, olhares e expressões de interrogação surgidas a cada encontro, num gratificante movimento de maior aproximação de tais sujeitos com as áreas do conhecimento em questão.

Aprender e ensinar. Ensinar e aprender. Com a citada experiência, certamente nossas pesquisas e inquietações ultrapassaram – mesmo que de forma tímida e sem promessa de continuidade – os muros da academia. Por outro lado, as preocupações e necessidades latentes daquelas professoras também nos ensinaram e trouxeram novas questões. Os diálogos, portanto, fizeram cintilar novos desafios quanto à nossa parcela de responsabilidade no que se refere aos rumos da educação brasileira.

Florianópolis, abril de 2015

 

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