A educação a serviço da autonomia dos cidadãos

Conferência do PEPB no dia 25 de outubro discutiu como a educação forma os indivíduos para a participação na esfera pública.

Foto: Thiago Rosado

Na ultima quinta feira, dia 25, o Pensar a Educação, Pensar o Brasil realizou mais uma conferência do XII Seminário Anual, quem em 2018 explora o tema “Mídias, Educação e Espaço Público”. Às vésperas do segundo turno das Eleições de 2018, a conferência “Educação Política na Contemporaneidade: o Compromisso com a construção do mundo comum” discutiu o lugar da escola nos processos democráticos hoje em dia, principalmente considerando a atual estrutura de comunicação que integra a esfera pública. Na ocasião, também foi lançada a edição especial da Revista Brasileira de Educação Básica que discute Educação e Democracia.

Foto: Thiago Rosado

Para realizar a discussão, foram convidados os professores Ademilson Soares, o Paco, da Faculdade de Educação da UFMG e Marina Murphy, servidora da Secretaria de Educação do Estado do Maranhão. O professor Paco iniciou as reflexões destacando a participação das Redes Sociais no Espaço Público. Para ele, as velocidade de informações e a forma como elas circulam alterou o funcionamento das discussões na esfera pública. A partir do conceito de Banalidade do Mal, aprofundado por Hannah Arendt, ele falou de como a é preciso dar atenção às mídias, suas linguagens, possibilidades e limitações, estabelecendo um equilíbrio entre pensamentos que supervalorizam a comunicação e aqueles que buscam integrá-la sem uma crítica necessária.

Nesse sentido, o professor destacou o lugar da educação formal, em todos os níveis. Desde a escola, como ambiente pré-político, conceito também de Hannah Arendt, até a universidade e a necessidade de que estas instituições saiam da sua própria bolha e ouse furar as demais bolhas.

Foto: Thiago Rosado

Já a professora Marina Murphy, a apartir da sua experiência em sala de aula, buscou destacar a busca pela autonomia dos estudantes na construção de um ambiente democrático.  “A autonomia que almejamos se aproxima da construção, pelo aluno, de um pensamento crítico e reflexivo sobre si e sobre sua realidade, e de que forma ele pode agir no mundo para mudá-la. Esse pensamento autônomo é facilitado por determinadas condições que desenvolvam a tomada de decisões e a reflexão crítica sobre o mundo, e certamente a escola é um campo fecundo para isso” afirmou a pesquisadora.

A partir de um breve histórico, Marina comentou como os projetos e as reformas educacionais cumpriram e ainda cumprem diferentes funções no sentido de “moldar” as juventudes para instrumentalizar os saberes dirigidos às classes populares de acordo com a conveniência das classes dominantes. Na sequência comentou como as mídias contribuem e atuam nesses processos e indicou, a partir do pensamento do intelectual e político espanhol Juan Carlos Monedero,  o Estado como um espaço de embate entre diferentes atores sociais e, portanto, de resistência à dominação econômica. “Isso se dará enquanto uma realidade através da atuação dos movimentos sociais, representantes legítimos dos diferentes segmentos da sociedade civil, e com a nossa possibilidade de construir uma ecologia de saberes, ou seja, a partir dos diferentes conhecimentos contra-hegemônicos construirmos soluções coletivas para esses mecanismos de dominação.”