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Vagner Edição 185 04 (1)

Artes, Ensino Visual e Técnicas Contemporâneas

Flávia Henriques de Souza*
Vagner Luciano de Andrade

 

A sociedade atual demanda por novas tecnologias educacionais que se conectem às demandas da realidade cultural formatando novos atores sociais. Os principais motivos para estas reformulações assentam-se no projeto educativo vigente: salas de aula do século XIX, professores do século XX e alunos do século XXI. O mundo de hoje faz cobranças bem específicas que sugerem novas mentalidades e ações inovadoras no âmbito da coletividade. Ver, olhar e agir é o legado que se empreende nos tempos de agora. Então, uma educação que eduque para o olhar e perceber, para o ver, julgar e agir se faz presente. E quando se fala em visualidade ideias vêm à mente, como o patrimônio, a paisagem e as artes enquanto elementos prioritariamente captados pela visão.

Explicitamente, destaca-se a apropriação das paisagens e das artes entendidas como um ensino visual nos âmbito das técnicas contemporâneas empreendidas na escola da atualidade.  O ensino visual, sem excluir os alunos com deficiência visual, é uma premissa que agrega Educação, História e Turismo na construção de novos diálogos e práticas escolares. Tendo como princípio que, o turismo pedagógico é a prática turística mais adequada à compreensão e interação com o espaço visualmente captado. Uma visitação turística desenvolve uma visão crítica que enxerga o mundo e suas múltiplas relações existentes. A partir da visão enquanto “sentido fisiológico” pressupõe-se a construção de uma visão filosófica. Tendo esta premissa básica como eixo norteador, a educação se refaz na perspectiva da construção de conhecimentos contextualizados e baseados na prática e no contato do indivíduo com seu meio social e cultural. Diversos educadores defendem que o mesmo é um importante mecanismo facilitador no/do processo ensino-aprendizagem contemporâneo.

Trabalhos didáticos de turismo articulam ações relevantes como guiar e educar de forma conjunta e articulada, correlacionam a História a outras áreas do conhecimento, em especial a Geografia, a Literatura, as Artes Visuais e Ciências Naturais, ampliando os horizontes da educação e o fazer pedagógico. Mas apenas sair da sala de aula, sem o devido preparo não dinamiza esta potencialidade. O sair demanda todo um processo preparativo que envolve o pré-campo, o campo propriamente dito e o pós-campo. Sem protocolos básicos, esta prática incorre em banalização e saturação. Algumas experiências de turismo escolar têm se mostrado sucateadas e maçantes devido justamente à falta de um bom planejamento. Assim inventários sobre as cidades a serem trabalhadas pedagogicamente, levantando suas potencialidades, são indispensáveis para planejar a saída. Executar projetos de trabalho de campo, tendo como foco o turismo pedagógico e recreativo, por sua vez, somente apresentará benesses se houver um pós-campo, um desdobramento da visita no cotidiano escolar, uma aplicação e conexão com a realidade estudada na sala de aula.

O sair para campo se articula com pensar a vida em sociedade e seus desdobramentos. Assim, objetivando conciliar a teoria tradicionalmente desenvolvida em sala de aula às práticas de percepção, análise e interação em campo, faz-se necessária a articulação com a realidade social vivida. Vários educadores têm atuado com propostas turísticas de ensino visual junto a diversas instituições de ensino da educação básica, apresentando e aplicando os elementos significativos desta ferramenta didático-pedagógica diferenciada e possibilitadora. A visita e apropriação de museus, paisagens e lugares se ampliam e se fortalecem. Permitir aos alunos transpor os limites da sala de aula, explorando suas potencialidades através da investigação, do reconhecimento e da interação, promove mudanças significativas na leitura e compreensão de mundo. Ver alunos em campo participando e atuando ativamente na realidade/comunidade é vislumbrá-los futuramente integrados à ordem social como cidadãos engajados, conscientes e críticos.

Outro ponto fundamental é a possibilidade de ampliar o acesso dos discentes ao legado das artes, historicamente acumulado pela humanidade. Uma vez que a História, a Educação e o Turismo também se fazem através dos muitos processos artísticos e culturais e se efetivam como um grande recurso motivador para à compreensão sobre o mundo em suas diversas nuances, dimensões e temporalidades.

Desta forma, acredita-se que o Ensino Visual e as Artes enquanto componentes de novas Técnicas Educativas Contemporâneas contribuem significativamente para construir novas possibilidades e perspectivas acerca de novos conhecimentos e métodos no/do processo ensino-aprendizagem motivando a contínua melhoria de práticas educativas em campo. São as artes do povo, seus múltiplos patrimônios que apropriados visualmente e filosoficamente pelos alunos empreendem novas apreensões e significados. Arte nos museus, no folclore, nos saberes e fazeres enunciando jeitos de ser e estar em diferentes temporalidades e espacialidades. Os olhos são a janela da alma, já dizia um velho ditado.

Referenciando práticas voltadas a potencializar a criatividade para melhorar os processos de percepção e cognição, buscam-se métodos inovadores que estimulem à imaginação, à curiosidade, à maior expressão e integração dos discentes com o meio. São os olhos do corpo e da alma a olhar, ver e imaginar problemas e soluções. Ler o mundo para nele intervir será a mola propulsora de novos formatos educativos comprometidos com a construção de um novo homem e um novo projeto de sociedade.


Imagem destaque: Aloisio Magalhães – Paisagem Azul (1955)

* Flávia Henriques de Souza é guia de turismo e Historiadora

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