[Eleições 2017] UFMG, conheça-te a ti mesma!

Brasão UFMG

Por Luciano Mendes de Faria Filho

A administração de instituições de grande complexidade exige a mobilização de conhecimentos os mais diversos para que os diagnósticos sejam os melhores possíveis e as políticas e ações institucionais sejam minimamente eficientes.  Em uma instituição como a universidade, que tem na produção do conhecimento nas mais diversas áreas uma de suas finalidades precípuas, essa é, mais que uma necessidade, uma exigência.

Numa universidade que se deseja democrática, como a UFMG, não basta, entretanto, que os conhecimentos sobre a situação da universidade e sua atuação/situação nos municípios em que atua, em Minas, no Brasil e no mundo, estejam ao alcance dos dirigentes da instituição: têm que estar disponíveis para o conjunto da comunidade universitária e, porque não, da população em geral. Além disso, não basta que o conhecimento sobre a própria universidade exista e seja disponibilizado. É preciso que ele seja divulgado como parte de uma ação político cultural de esclarecimento da população, universitária ou não.

Sabemos que nos diversos órgãos da administração central, das unidades e em diversos departamentos há uma contínua produção de informações e conhecimentos sobre a própria Universidade. Muitas dessas informações administrativas estão disponíveis, ainda que nem sempre de fácil acesso. Muito do que se produz de conhecimento sobre a universidade como resultado de pesquisas mais ou menos sistemáticas, também podem ser encontradas se se faz busca nos “lugares corretos”.

No entanto, falta organicidade na produção, organização e disponibilização daquilo que já se sabe sobre a UFMG. Mas falta também um inventário de nossas ignorâncias, assim como um diagnóstico preciso e compartilhado de nossas deficiências e, portanto, daquilo que precisamos saber para tomar decisões mais fundamentadas hoje e prospectar cenários possíveis para o futuro.

Para dar conta dessa tarefa é imprescindível que a UFMG, como muitas de suas congêneres no mundo, estabeleça um lugar institucional responsável por levar avante o imperativo socrático “conhece-te a ti mesmo”! Isso porque a produção e disponibilização de informações sobre a universidade não pode obedecer apenas aos imperativos de ordem administrativa ou da necessidade de fundamentar e justificar decisões deste ou daquele órgão. É preciso que seja uma ação contínua, orgânica e transparente da instituição. Portanto, não pode estar sujeita apenas à conveniência e às possibilidades dos órgãos responsáveis pela administração e tomada de decisões na universidade.

Do mesmo modo, a produção do conhecimento científico sobre si e sobre os cenários possíveis para seu futuro, tanto próximo quanto distante, não pode ser deixada á cargo das decisões individuais dos professores, alunos e TAEs da Universidade. É preciso que esteja articulada, internamente, às necessidade de conhecimento subjacente ao governo da universidade e, mais do que isso, à necessidade de tornar a universidade mais eficiente, transparente, pública e democrática. E, externamente, é preciso que a produção de conhecimentos sobre o ensino superior ultrapasse a própria universidade e se volte para o entendimento sobre o ensino superior e as universidades do/no mundo. Só é possível fazer uma instituição universitária de classe mundial se estivermos profundamente vinculados aos desafios nos cercam e com um conhecimento profundo sobre os rumos de nossas congêneres no mundo inteiro.

A UFMG já contou com um Centro de Estudos sobre Ensino Superior e Políticas Públicas para a Educação-CESPE,  que se propunha a realizar algo semelhante ao que aqui se propõe. No entanto, parece que o núcleo deixou de funcionar com regularidade já há alguns anos. Seria o caso de reativar de novo o CESPE e dotá-lo de condições de funcionamento? Ou, seria preferível criar um novo grupo ou centro?

Parece-me que qualquer das duas soluções acima pode significar um avanço em relação ao que temos hoje e certamente ajudará a efetivar um outro imperativo importante: que a UFMG, como instituição complexa e democrática, aplique a si a exigência que continuamente faz aos outros – a de mobilizar os conhecimentos produzidos pelas pesquisas e pela experiência na elaboração, implementação e avaliação de políticas públicas. Se tal não fizermos, não apenas desperdiçaremos experiências e conhecimento, mas também perderemos a autoridade para fazer tal exigência aos outros, sobretudo às instituições estatais responsáveis pela políticas públicas.

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