Autistas nas aulas de Educação Física: o que fazer? – Tiago Tristão Artero

Autistas nas aulas de Educação Física: o que fazer?

Tiago Tristão Artero

ENTENDENDO OS AUTISTAS

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Trabalho com autistas, mediação. Escola Municipal de Campo Grande – MS.

Em tudo que fazemos, mobilizamos nossas características diversas, nossas representações, funções cognitivas, emoções, entre tantas outras esferas que consideram a complexidade humana. Com o aluno autista não é diferente.

Vigotski, em “Teoria e método em psicologia”, postula que as funções psicológicas superiores – como memória, atenção, abstração, aquisição de instrumentos, fala e pensamento – se desenvolverão pela transmissão de conhecimentos historicamente transmitidos e que, no caso das crianças, necessariamente precisam da mediação dos adultos culturalmente mais desenvolvidos.

Esse processo de mediação postulado por Vigotski se dá pela comunicação, no caso dos autistas com limitações.

A dificuldade de socialização aliada à possível recusa pelo contato físico são mais alguns desafios a serem considerados por que se propõe a trabalhar com este público.

Diante do exposto, discutiremos questões acerca da inclusão dos autistas nas aulas de Educação Física.

Assim, respeitar suas características buscando meios de incluir e, necessariamente, motivar a criança ou jovem autista, terá que fazer parte do planejamento do professor e auxiliares que poderão colaborar nesse processo.

A Declaração de Salamanca, 1994, trouxe práticas e políticas em Educação Especial.

TRABALHANDO COM OS AUTISTAS NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Um dos papéis do professor de Educação Física é estimular as possibilidades e as potencialidades do autista com atividades lúdicas e jogos adaptados às necessidades de cada indivíduo ou grupo.

 A adaptação do professor ao aluno autista, bem como a convivência natural com os demais colegas da sala, criará um ambiente propício para o que todo professor deveria buscar: estimular a autonomia e a aprendizagem de todo o grupo

Tratá-los da mesma forma que tratamos outros alunos, considerando suas particularidades; conversar e elogiar, caso haja motivo para tal; trazer questionamentos; buscar, sempre que possível, contato visual; essas são condições que, certamente, contribuirão para o aprendizado desses alunos.

Utilizar a rotina, aspecto presente na vida do autista, de maneira positiva, proporcionando efetiva participação do autista na aula de Educação Física, é recomendado. Isso implica em trabalhar, se possível, nos mesmos horários, trazer a rotina para atividades até que seja interessante fazer a alternância ou mudança destas, buscar atividades em grupo, mas não esquecer que as atividades individualizadas surtem bastante efeito no caso dos alunos autistas.

Ambientes organizados e simplificados auxiliam na identificação visual e direcionamento de estímulos relevantes.

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Trabalho com autistas no colchonete. E.M. Campo Grande – MS

É de grande valia, utilizando uma bateria psicomotora, avaliar o desenvolvimento como sugere Fonseca, em “Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem”. Para o trabalho, podemos utilizar arcos (bambolês), aplicando em atividades com obstáculos, como material de manipulação, realizando giros e lançamentos em direções diversas.

A estimulação ainda pode ser feita com bolas suíças, deitando em cima dela e movimentando o corpo em diversas direções, chutando, quicando, rolando, entre outras possibilidades de manuseio.

Outro recurso bastante estimulante são os colchonetes para movimentações diversas, rolamentos, percepção do corpo em repouso após atividade anterior em que ocorreu aumento do batimento cardíaco.

Atividades com elásticos e cones, amarrando o elástico de um lado a outro da quadra (ou sala), permitindo que o aluno se movimente seguindo a direção do elástico e utilizando suas mãos para sentir e ser guiado.

A água pode ser aplicada em diferentes contextos. O aluno pode bebê-la, afundar objetos, imergir as mãos, lançá-la ao alto, entre outras variações que permitam aproveitar características singulares que a água possui.

A introspecção, alterações de humor, com episódios de raiva e descontrole, deverão ser devidamente administradas com a ajuda de um profissional auxiliar. O professor também deve respeitar o tempo em que o aluno permanecerá em cada atividade, compreendendo as alternâncias nos processos atencionais do autista.

O próprio corpo do autista é recurso para ser trabalhado, explorando sensações.

Concluindo, é preciso respeitar a rotina e antecipadamente informar ao aluno quando ocorrerem mudanças na rotina. Trabalhar comandos verbais claros em um ambiente simples e organizado.

 

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