Livre Expressão – Roberta Poltronieri – Mulata – Di Cavalcanti

Dia internacional das mulheres, 8 de tantos marços, vale a pena comemorar?

Roberta Poltronieri

A reflexão que fica neste dia, como outros dias, é que não se atreve a fazer comparações históricas sobre a mulher, que é diversificada em cada território humano. Mas, cabe observar as mulheres que vivem ao redor e perceber: quem são elas? Sua importância e presença em meio as desavenças do mundo. Eis aqui uma singela marca sobre o “ser mulher” descrita por Cecília Meireles:

Mulher ao espelho

Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.

Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seu
se morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.

Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

 

Imagem de destaque: Mulata de Di Cavalcanti

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