SONY DSC

As vozes que nós ecoamos

Yolanda Assunção

Desde a popularização da internet, os debates, acerca de qualquer assunto, se intensificaram. Através das mais diversas plataformas e espaços virtuais, as discussões ganham grandes dimensões e o fluxo de informações está cada vez mais veloz. Contudo, as informações que transmitimos precisam ser observadas com cuidado. Não, isso não é mais um texto sobre fakenews (mas até pode ser). Esse texto é sobre não exercitarmos plenamente em nosso discurso, ou nos discursos que replicamos, a diversidade que tanto pregamos.

Todo dia vemos inúmeros textos e falas que reforçam estruturas de opressão já muito conhecidas, replicados nas nossas timelines e grupos de WhatsApp. Não estamos falando de discursos conservadores. Muito pelo contrário, trata se de discussões caras ao progressismo, ao combate a preconceitos, à luta contra a pobreza estrutural, à defesa da Ciência e Tecnologia, etc. O que há de errado então? A questão é que continuamos, mesmo que do lado oposto do espectro político, ouvindo, lendo, assistindo e, principalmente, reproduzindo o discurso de homens, cisgênero, heterosexuais, brancos e de classe média (às vezes alta). Não que estas pessoas não tenham algo importante para dizer ou liberdade para fazê-lo. Mas sempre voltamos nossos olhos e ouvidos para esses grupos e indivíduos, colaborando para a invisibilidade de negros, mulheres, LGBTs, indígenas, pobres etc.

Enquanto mais um super-produzido Greg News entra no ar, com informações mais do que pertinentes, o rapper e gari Jota Jr faz mais uma transmissão que não apenas faz uma análise histórica e social de temas importantes, como ainda nos dá a oportunidade de olhar através de uma lente de quem vive aquela realidade. A diferença é que o primeiro é mais visto e compartilhado.
Enquanto o Diário do Centro do Mundo parece ter descoberto Marielle Franco apenas depois de sua morte, o Portal Gledes publicou diversas matérias sobre a ativista, sua atuação e seu papel como referência para mulheres negras, muito antes da fatídica madrugada de 14 de março.

É possível citar diversos outros exemplos do alcance desigual dos mais diversos veículos e personagens formadores de opinião. E se querem saber: a culpa é nossa! Nós não damos valor à eles. Ao contrário do que muitos repetem por aí, mulheres, LGBTs, negros, indígenas… sempre tiveram voz. A diferença é que agora têm vez. E ainda falta-lhes plateia e replicadores.

 

Imagem de destaque: Pedro Cabral

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *