Alicerces da pátria:história da escola primária no Estado de São Paulo (1890-1976), de Rosa Fátima de Souza

Leziany Silveira Daniel

O texto a que convido à leitura é de autoria da professora Rosa Fátima de Souza (UNESP-Araraquara) e cuja temática nos convida a pensar sobre uma instituição formal fundamental ao se pensar a educação de um país: a escola. Intitulado “Alicerces da Pátria: história da escola primária no Estado de São Paulo (1890-1976)”, este estudo é fruto de sua tese de livre-docência, de 2006, e que foi publicado em forma de livro pelo Mercado das Letras, em 2009.

Embora tenha vindo a público há algum tempo, esta obra tem um fecundo propósito de pensar a relação da escola primária, em especial, da paulista, com as construções do ideário de nação brasileira, datados do século XX. É um estudo de cunho histórico, produzido no interior da história da educação, que permite também lançar luz sobre a escola atual, possibilitando entender a constituição da instituição escolar, bem como sua contínua mudança, em virtude de seu caráter emblemático em meio aos projetos de nação em pauta, em cada momento.

Seu estudo, de longa duração, embora focado na realidade escolar paulista, mostra um esforço profícuo em ampliar as discussões acerca da história do ensino primário no país, sendo referência para outros estudos, em outros estados. Tomando como referencial teórico a cultura escolar, Rosa Fátima procura entender, por exemplo, um tipo específico de escola que foi o Grupo Escolar, datado do início do século XX e que se tornou “símbolo da modernidade na educação paulista”.

Com uma interessante tipologia de fontes (fotografias, relatórios de professores entre outros), a autora procura adentrar as paredes das escolas, nos mais diversos municípios de São Paulo, percebendo seus alunos, professores, mobiliários, currículos, atividades, testes entre outros. A história do ensino primário, neste sentido, constrói-se a partir do estudo da multiplicidade de escolas existentes, com características e questões próprias que compõem o universo escolar paulista. No caso do Grupo Escolar, pode-se perceber que, embora fosse um projeto que se pretendia único e universalizado, não ocorreu da mesma forma e nas mesmas condições em todos os municípios. Nesse caso, permite-nos entender as diferentes condições econômicas e sociais de cada região paulista, por exemplo.

Percebendo as semelhanças e as peculiaridades dessas escolas, Rosa Fátima constrói seu texto buscando “compreender o aparecimento, a transformação e o desaparecimento de instituições escolares que designaram um nível de ensino – as escolas primárias – e se responsabilizaram pela educação de várias gerações, e que possuíam uma forte identidade institucional” (p. 19)

Com uma linguagem fluente e repleto de fotografias das escolas paulistas, o livro de Rosa Fátima nos convida a “desnaturalizar” e a “desnudar” a instituição escolar, mostrando sua função estratégica na construção do país, não só no século XX, mas também ainda no século XXI. Fica a possibilidade de traçarmos reflexões acerca da escola atual. Isso é mais que possível, é necessário!

*Leziany Silveira Daniel é Professora Doutora no Setor de Educação da UFPR. Atualmente realizando estágio pós-doutoral no PPGE/FAE/UFMG.

 

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