UNIT

Missão de estudos na UNIT/SE: minhas experiências acadêmicas e culturais.

Luísa Marques de Paula

“Meu ser em mim palpita como fora/ do chumbo da atmosfera contristora./ Meu ser palpita em mim tal qual se fora/ a mesma hora de abril, tornada agora” (Carlos Drummond de Andrade)

Entre 11 de abril e 12 de maio de 2016, época na qual eu iniciava meu segundo ano do Mestrado em Educação pelo Programa de Pós-graducação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social da UFMG, sob orientação do prof. Luciano Mendes de Faria Filho, estive em missão de estudos na Universidade Tiradentes (Unit), situada em Aracaju, estado de Sergipe. Foram trinta e dois dias vividos com grande intensidade, dos quais carrego inúmeras experiências que rememoro agora, a partir desse relato.

Estando em Aracaju, fui orientada pela profa. Ilka Miglio de Mesquita, que, é importante que se diga, também me recebeu em sua casa durante meu mês em Sergipe. Morar com a professora significou estreitar laços que começaram a ser atados quando ela ainda fazia seu pós-doutorado na UFMG, e eu ingressava na iniciação científica, isso no ano de 2010. Ali, ainda nos primeiros anos do Projeto Moderno, Modernidade, Modernização, éramos ambas, mesmo que em níveis de formação distintos, orientadas pelo prof. Luciano em nossas pesquisas envolvendo História dos Intelectuais e Educação. Pesquisas essas que continuaram a se desenvolver, especialmente nas diversas ocasiões de encontro do grupo, como nos Colóquios de Verão e de Inverno, e nos encaminharam aos lugares do (re)encontro: eu como estudante de mestrado ainda vinculada ao Projeto, e Ilka como docente da Unit, instituição que se integrou ao PMMM e há dois anos coordena o nosso PROMOB através da atuação da profa. Raylane Dias Navarro Barreto.

Morar com a profa. Ilka significou também uma completa imersão nos estudos: se eu não estava na Unit acompanhando alguma aula, era fácil me encontrar usando os inúmeros livros de suas estantes, que muito me ajudaram a compor toda a estrutura de minha dissertação. E, então, quando Ilka chegava à noite, eu podia saber que viria o pedido para ver o que eu havia produzido no dia, e ficávamos ali, tendo reuniões de orientação enquanto tomávamos chá (mesmo no calor de Aracaju, esse foi o nosso grande hábito), e depois planejávamos o dia seguinte – como eu iria para a Unit, qual aula eu iria ter, etc.

A minha rotina na Unit consistiu, pois, em seguir a disciplina concentrada “Tópicos Especiais de Direito/Tópicos Especiais de Educação” ministrada pelo professor Antonio Hermosa Andújar da Universidade de Sevilla, e que teve como objetivo principal aportar conhecimentos acerca das doutrinas educacionais e políticas de filósofos antigos e modernos, tais quais Pitágoras, Plutarco, Heródoto, Tucídides, Platão, Aristóteles,  Maquiavel, e Rousseau. Tal disciplina me proporcionou a experiência de acompanhar aulas de um professor estrangeiro no Brasil, bem como me concedeu subsídios teóricos para pensar a função da educação sobre a natureza humana e sobre a ordem política, conhecimentos extremamente úteis a uma pós-graduanda em Educação.

Fora a disciplina, estar na Unit representou a oportunidade de conhecer o funcionamento de uma instituição de ensino superior privada, tendo em vista que toda a minha formação, desde a graduação, se deu na UFMG. Nesse sentido, a Universidade Tiradentes foi muito gentil em me permitir frequentar o espaço compartilhado dos professores da pós-graduação, e, além disso, pude ouvir, dos colegas que me receberam, vários relatos acerca das diferentes expectativas em torno de um programa de pós-graduação ainda jovem, como é o de Educação da Unit, mas amplamente organizado visando um crescimento estruturado e rápido.

Falando, enfim, da minha experiência cultural, posso afirmar que excedeu imensamente minhas expectativas, o que devo muito a dois colegas: Jady Rosa, mestranda, e Gustavo Santos, doutorando, ambos orientados pela profa. Ilka, e que foram os responsáveis principais pelos meus passeios por todo o estado de Sergipe. Eram os dois que conseguiam hospedagens entre amigos e familiares, que preparavam roteiros, que pegavam o carro emprestado para que pudessemos viajar. Meus grandes companheiros e amigos, com quem eu tenho a alegria de poder também conversar sobre pesquisa, seja a respeito dos bacharéis da Faculdade de Direito de São Paulo, ou a respeito de Bernardo Guimarães e as questões raciais no Brasil do século XIX.

Junto à Ilka, Jady e Gustavo me levaram para conhecer a linda orla da praia de Atalaia em Aracaju, bem como o Mercado da Cidade e seu centro histórico. Visitamos também o Museu da Gente Sergipana, que é uma atração que recomendo a todos que um dia visitarem Aracaju, tanto pela beleza da construção que abriga a instituição, mas também pela experiência interativa e por sua capacidade de nos ensinar a respeito da cultura imaterial do estado, valorizando seu rico e diversificado patrimônio artístico-cultural.

Saindo da capital, pude visitar a divisa sul de Sergipe com Bahia, indo na Praia do Saco (SE) e em Mangue Seco, cidade baiana onde se passa a história de Tieta, de Jorge Amado. Fui ainda conhecer a região petrolífera de Pirambu, que também abriga a primeira instalação do Projeto Tamar de preservação das tartarugas marinhas. Finalmente, conheci o sertão do estado, indo até sua divisa com o Alagoas, entre as cidades de Canindé e Piranhas, separadas pelo Rio São Francisco. Lá, para além da exuberânca da natureza, pude assistir apresentações artísticas que tratavam da história do Cangaço, movimento social do início do século XX liderado por Lampião, que foi assassinado justamente naquela região.

Em resumo, essas foram minhas principais vivências como bolsista do PROMOB em missão de estudos na Unit de Aracaju. Espero que o texto tenho sido eficiente em apresentar as experiências vividas acadêmica e culturalmente, que sem dúvidas enriqueceram minha formação no mestrado e se refletiram na minha dissertação. Lembrando que o São Franscisco, que pude ver em toda sua força em Sergipe, nasce nas Minas Gerais, não encontro analogia melhor à minha viagem: é destino do rio sempre buscar o mar.

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