Você só da Aula?

A diretora do documentário “Você só da aula? Mariana Marques de Oliveira (esq.) e a professora Samara dos Santos Carvalho (dir.) falam da experiência de docentes da Educação Básica

Você só dá aula? é um documentário dirigido pela professora da rede estadual de Santos/SP, Mariana Oliveira, que discute as condições do exercício da profissão docente em formato documentário. Realizado pelo Coletivo Noise, em parceria com o projeto Pensar a Educação, Pensar o Brasil, e entrevistou várias professoras, entre elas a professora Samara Carvalho, da rede municipal de Santos.

O vídeo foi apresentado na Faculdade de Educação/UFMG nos dias 10 e 11 de agosto, como parte da Semana Ser Professor, programação de recepção dos calouros da Faculdade. A jornalista Claudia Fonseca do Pensar a Educação, Pensar o Brasil conversou com as professoras sobre a experiência docente e a produção e circulação do documentário.

Pensar: O título “Você só dá aula?” é bem sugestivo da relação aluno-professor na escola. Por que você escolheu esse título para o vídeo?

Mariana: Eu me formei em Pedagogia na Unesp de Marília e sou professora desde então. Passei uma fase de muita angústia com o dia a dia da profissão e me sentia muito sozinha. Conversando com alguns colegas, percebi que o incômodo com certas questões da docência eram comuns. Como eu já conhecia o coletivo Noise, tivemos a ideia de fazer um vídeo sobre o assunto. Para mim, foi um processo terapêutico. E o título vem de uma pergunta que é feita frequentemente pelos alunos, demonstrando desconhecimento sobre a profissão.

Pensar: Quais são os temas priorizados no documentário?

Mariana: “Você só da aula?” é um vídeo que em 20 minutos de duração mostra oito professores-personagens, homens e mulheres docentes falando sobre sua rotina, os desafios, a relação com os alunos e com a escola enfim, sobre os aspectos que delineam a identidade docente. O tema do adoecimento é comum à maior parte dos depoimentos, mas no final quisemos deixar registrado o quanto os professores e professoras gostam da profissão. Nosso objetivo foi esse: desmistificar a profissão docente.

Pensar: Como o público tem reagido ao vídeo?

Mariana: Estamos muito felizes com a recepção positiva. Todas as vezes que exibimos o vídeo as pessoas gostaram. Já passamos inclusive para alunos do ensino médio, achamos que eles não se interessariam, mas surpreendentemente eles fizeram muitas perguntas e debateram conosco ao final de sessão.

Pensar: Samara, como foi ser professora-personagem do documentário?

Samara: Sou professora de Sociologia do ensino médio, tanto na rede municipal quanto na particular. É nessa etapa escolar que os conflitos dos jovens com a escola se evidenciam. Minha disciplina tem pouca carga horária nas escolas, atuo em quatro escolas, o que aumenta consideravelmente o número de alunos e a carga de trabalho extraclasse. Mesmo assim, estimulo os alunos a desenvolver a crítica e eu mesma discuto bastante as condições do trabalho docente com eles. Por isso, foi muito legal participar do vídeo.

O tema do adoecimento é comum à maior parte dos depoimentos, mas no final quisemos deixar registrado o quanto os professores e professoras gostam da profissão. Nosso objetivo foi esse: desmistificar a profissão docente.

 

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