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Relação entre famílias e escolas: perspectivas de análise

Roberta Poltronieri

“A escola não é só uma estrutura administrativa do poder público. Lá ocorre formas de conduta dos indivíduos e grupos que compõem a escola, suas contradições, antagonismos, interações, expectativas, costumes, enfim, todas as maneiras de conviver socialmente”. (Antonio Candido, 1967)

Diversos estudos vêm destacando o fato de que no Brasil, assim como fora dele, a relação entre famílias e escolas constitui eixos estruturadores dos condicionantes sociais, pelos quais transpassam a possibilidade de ir à escola. Afinal, a maioria das pessoas tem em suas trajetórias de vida, relações que desenvolve(ra)m com o sistema escolar no passado ou presente, em seus níveis mais variados possíveis. Assim também, a família em seus difusos arranjos domésticos é o berço primário das relações sociais posteriores.

Compreender esta relação envolve uma gama de interações, nos quais condicionantes sociais justapostos e muitas vezes desiguais são colocados em cena, tais como o nível sócio-economico da comunidade na qual a escola está inserida, os arranjos familiares, demandas escolares que envolvem a vida escolar do aluno, relações de gênero na escola e sem dúvida o fazer professoral, muitas vezes solitário e desprovido de auxílio em momentos conflituosos que envolvem o cotidiano escolar.

É importante ressaltar que em relação ao desempenho do aluno na escola, invariavelmente há diferentes reações parentais. Alguns autores já aprofundaram temas de pesquisas em que discutiram a relação que as famílias das camadas populares têm com a escola, desconstruindo o estereótipo de que família pobre é sinônimo de fracasso escolar. Da mesma forma, outros autores do campo cientifico família-escola provaram a existência de pais com êxito escolar em carreiras com filhos que apresentaram fracasso escolar e pais com baixo capital cultural com filhos de sucesso escolar.

Conceituamos Família como um grupo de convivência pelo qual desenvolvem-se formas de sociabilidade orientadas por referências culturais, constituídas pela dimensão da vida coletiva e parte estruturante das relações domésticas (DURHAM, 1983). Por Escola, compreende-se parte da vida integrante em sociedade (mesmo não havendo consenso da total universalidade do acesso à escola) responsável pela parte primária da educação escolar. Nesse contexto, é possível afirmar que a relação família-escola no mundo globalizado, desigual e tecnologicamente acelerado em que vivemos, constitui mais um desafio a ser cientificamente estudado, não só porque o mundo se transforma rapidamente, mas, para suscitar as emergências e necessidades desta relação incluindo a dimensão do aluno e professor emergem nos contextos educacionais.

Assim, adentrar a perspectivas de análise destas duas instancias sociais torna-se um movimento importante, a fim de perceber como encontram-se organizadas estas duas dimensões (família e escola) em diferentes contextos e como integram suas representações no campo social em questão, suas características mais particularmente detalhadas. Não referimo-nos à imagem pronta da família idealizada com formato nuclear entre pai mãe e filhos. Mas certamente uma família que vincula-se à escola com formas heterogêneas de existência.

Desse modo, o campo de pesquisas acadêmicas, não por acaso, tem voltado suas atenções à compreensão da relação entre família-escola. A Sociologia, diante disso, traz para si o estudo desta relação correlacionada com as discussões educacionais que envolvem: o acesso à educação, a formação dos professores, as políticas educacionais, o sucesso e fracasso escolar, as políticas de inclusão, os conteúdos curriculares e outras discussões que norteiam o eixo da família e da escola de forma ampla até os contextos singulares.

Em síntese, pode-se deduzir que a inter-relação entre estas duas instituições, não se pauta em um princípio de realidade único e objetivo. Cada grupo social necessita de um estudo. Devido a isso, o Projeto Político Pedagógico da instituição escolar pode ser uma ferramenta para este estudo, no entanto, buscar uma noção não homogênea da realidade, pode ajudar na aproximação não ingênua, mas condizente que é nestes dois âmbitos que vai e voltam significados e sentimentos, que podem estar o caminho de aproximação para o desenvolvimento da educação formal, assim como, os (des)encontros que a experiência de ir à escola pode representar para a vida em sociedade.

Referências

DURHAM, Eunice Ribeiro. Família e reprodução humana. In: DURHAM, Eunice Ribeiro et al. Perspectivas antropológicas da mulher 3. Rio de Janeiro, Zahar, 1983.

CANDIDO, Antonio. A estrutura da escola. São Paulo: Editora Nacional,

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