Renata Duarte – Quando A Educação é Alvo De Ataques – Yolanda Assunção – Cortes Na Educação

Quando a Educação é alvo de ataques

Renata Duarte Simões

Em 18 de Junho de 2019, a Administração Central da Universidade Federal do Espírito Santo publicou nota informando que tomou ciência de mensagens divulgadas nas redes sociais com ameaças de um ataque armado que estaria sendo planejado para o dia seguinte, quarta-feira, dia 19 Junho, no Campus de Goiabeiras.

De acordo com as mensagens, divulgadas em um grupo da deep web (internet oculta ao grande público e não acessível pelos mecanismos de busca), “esquerdistas, feministas, viados e negros” seriam alvo desses ataques. Essas mensagens também são direcionadas aos sujeitos da comunidade acadêmica que atuam em defesa dos direitos humanos.

Apesar de a Ufes não ter cancelado as suas atividades e os ataques não terem se concretizado em outras universidades anteriormente ameaçadas, o clima é de medo e alguns alunos preferiram não comparecer às aulas.

As mensagens direcionadas a pelo menos 18 instituições de Ensino Superior relembram o ataque à escola de Suzano, citando explicitamente o ocorrido em 13 de Março, quando dois jovens adentraram a escola, atitaram em alunos e professores e mataram oito pessoas. As ameaças, que vem causando preocupação entre reitores e diretores, apresentam um discurso de ódio a negros, mulheres e homossexuais e, ainda que pareçam objetivar criar somente o tumulto nos ambientes, não podem ser desconsideradas.

O ataque às universidades parece também refletir o momento político em que se encontra o país, no qual o discurso de ódio ganha força nas instâncias administrativas e entre os governantes de mais alta importância e visibilidade. O próprio presidente refere-se à Educação Superior pública como inimiga da nação e vem direcionando ataques retóricos frequentes às instituições, reforçando o estigma de que esses espaços se prestam a realizar “doutrinação marxista”, que trabalham para efetivar uma suposta dominação comunista engendrada por países como Cuba e Venezuela.

O crescimento dos grupos de extrema-direita, defensores de uma política de armamento da população, também contribui para que a problemática da violência ganhe um outro dimensionamento, requisitando a atenção dos órgãos de segurança.

 O que realmente parece causar temor em alguns governantes e entre as classes sociais mais conservadoras brasileiras é a possibilidade de reflexão crítica fomentada pelas instituições públicas de Ensino Superior, destacadamente nos cursos da área de Ciências Humanas. A problematização em torno da organização econômica e política da sociedade, em espaços de ampla defesa pela liberdade de expressão, ameaçam os processos de dominação historicamente constituídos, pois elucida aos sujeitos a necessidade de empreendimento da luta por direitos e de enfrentamento das desigualdades sociais.

Algumas práticas e discursos discriminatórios, violentos, até mesmo de extermínio do diferente, buscam assegurar a manutenção da estrutura social, em que a alguns sujeitos são garantidos os amplos direitos e a outros sujeitos esses mesmos direitos são intencionalmente negados. Em contrapartida, a educação vem se mostrando como possibilidade crítica e problematizadora dessa complexidade social, na perspectiva de superação dos processos de naturalização das desigualdades.

Essa luta pela conscientização dos sujeitos já vem sendo realizada no campo educacional e manifesta-se na oferta de cursos e vagas que oportunizam o ingresso dos diferentes sujeitos, com suas singularidades e demandas, ao Ensino Superior. A defesa pela manutenção dos direitos conquistados por meio de muita luta vem se dando nas aulas, nos cursos, nos seminários, nos distintos espaços das universidades e nas manifestações que ganharam as ruas nos últimos meses.

Haverá luta contra o desmonte da educação pública! Haverá muita resistência contra a difamação e precarização do Ensino Superior!

 


Imagem de destaque: Yolanda Assunção

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