Por onde andei

Cléa Mara Mattos do Prado

 

“Por onde andei         
Enquanto você me procurava?
E o que eu te dei?
Foi muito pouco ou quase nada”         

Nando Reis         

 

Tenho pensado muito na formação educacional. Não vou falar aqui da formação do professor, mas da equipe escolar que envolve pessoas com suas bagagens pessoais e profissionais. De um ambiente que busca oferecer serviços, porém tem características familiares, em sua maioria, e é sensível a características de protecionismo.

A menção do tema ‘família’ aqui se realiza no fato de que a Escola, ambiente de aprendizagem acadêmica, ser influenciada por ela de forma a prejudicar o processo de mensurar, gerenciar e organizar, de forma profissional, o processo de aprendizagem e seus resultados. Família é proteção, união, segurança, amor em suas facetas. É a instituição caracterizada por essas qualidades e acredito que deva ser. Ponto, não é uma crítica.

Escola por sua vez é a instituição que se propõe à aprendizagem e a cumpre, porém com nuances de protecionismo. Seu papel social é muito claro e determinado, mas… Há mais “mistérios” entre o céu e a terra que sonha a nossa vã possibilidade de cumprir a tarefa de garantir a aprendizagem.

Temos como exemplo, a formação do professor, que é desenvolvido por outro professor e suas convicções. Outro exemplo é a formação do coordenador. Muitas vezes um excelente professor se destaca e acaba assumindo a função. No seu fazer descobre que entre atender e receber as crianças no portão, acompanhar e mensurar resultados, tem tantas tarefas que se perde em qual cumprir.

Chegamos agora ao diretor.  Formação por determinação pedagógica com ênfase na direção escolar. No entanto se vê entre planilhas de custo, gestão de pessoas e orientar o pedagógico. O quê, quando e como fazer? Ao diretor cabe o malabarismo de segurar os três pratos – gestão pedagógica, de pessoas e financeira – sobre o bastão, sem a formação adequada para as três.

Quando falamos em professor, coordenador, diretor não nos restringimos à educação básica, pelo contrário, são os profissionais da educação no Brasil em seus segmentos existentes.

Chegamos agora à legislação, governos e secretários. Neste caso não irei me ater as formações, mas às canetas de decretos e pareceres que tem a pretensão de regulamentar sem assumir a responsabilidade de um fim e a cada novo governo muda de forma ideológica. Falta um plano educacional, um objetivo único para a educação brasileira.

Nesta mesa farta de possibilidades acabamos por saborear um prato cru, com sabor pouco agradável e paladar às vezes indigesto.

Minha pergunta é: quando vamos pensar a educação?

Quando realmente vamos deixar de culpar ou delegar a outros essa tarefa e usar de argumentos falhos para justificar a nossa falta de responsabilidade. Uma vez assumida a função, seja ela qual for, na área de educação, somos todos corresponsáveis pelo processo de aprendizagem. Cabe aqui relembrar aquisição de conhecimento para uso social e necessário à perpetuação da espécie humana.

Um basta! Chega, literalmente da culpabilidade de que não deu certo porque a formação do professor não atende as necessidades educacionais. Idem para coordenador, diretor, supervisor, secretário, ou qualquer outra.  Por mais que tenhamos fatos para essa afirmação. Retomo aqui a retorica, uma vez que aceitei assumir uma função na aérea educacional, passo a ser responsável pela minha formação e tenho a responsabilidade com o processo de aprendizagem, qual o objetivo educacional e projeto para a educação.

É um conclave educacional que faço. Passemos a ver a educação acadêmica como prioridade. Somos profissionais da educação e não de um sistema familiar educacional. A educação familiar cabe aos pais, condição em que me incluo, porém à escola instituição responsável por educar – cabe EDUCAR

Vamos sim, com o perdão da troca literária, inverter a música para entregar uma educação com resultados e não com maquiagens.

Por onde andei, me formei…Foi o tanto quanto que ofertei.  E não foi pouco ou foi quase nada?!

 

 

 

This Post Has One Comment
  1. Trabalho em equipe faz a diferença, e a escola…meta e qualidade, é uma pena que o Secretário da Educação não valoriza a nossa educação enquanto outros país saem no lucro…

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