Piquenique literário

Juliana Caires Pereira

O aprendizado da leitura apresenta-se como um dos inúmeros desafios para a educação. Decodificar os símbolos escritos e interpretá-los talvez seja o conhecimento mais valorizado e exigido pela sociedade. A importância da leitura e da escrita como fatores que possibilitam o desenvolvimento cognitivo do indivíduo e a sua inserção social nas sociedades letradas, tem sido problematizada e discutida por pesquisadores e educadores. Assim, o papel da escola destaca-se, já que nela o contato com a leitura e a escrita ocorre de forma sistematizada.

Mas, será que a escola tem favorecido o desenvolvimento de leitores?

Responder esta questão requer um esforço muito maior do que empreendido por este texto. O que apresento ao leitor, é a iniciativa realizada por uma professora da Rede Municipal de Coronel Murta, MG, que trabalha com os anos iniciais da Educação Básica à cerca de quatorze anos, e que, por meio de ações simples, dedicação e responsabilidade, busca formar sujeitos leitores.

Com o objetivo de despertar o gosto dos alunos pela leitura, a professora organizou um Piquenique Literário, uma atividade que consistiu em uma manhã de leitura. Os 23 alunos da turma do 2ºAno do Ensino Fundamental foram levados para um sítio próximo à cidade que foi previamente preparado para recebê-los. Chegando ao local, foram recepcionados pela professora que vestia um avental; sim, um avental colorido, que foi confeccionado especialmente para os momentos destinados à leitura. Todos se sentaram formando um grande círculo para ouvir a história, e o livro escolhido foi: “Viviana, a rainha do pijama”, do autor Steve Webb.

Dirigido ao público infantil, a menina que conduz essa aventura é Viviana, que se envolve numa investigação para saber como os animais vão para a cama. Ela escreve e desenha divertidas cartas para seus amigos animais que respondem com muito humor e criatividade. Durante a leitura, a professora fez perguntas relacionadas aos animais citados na história, dando dicas para que as crianças pudessem descobrir como os animais se vestem na hora de dormir: “Como vocês acham que é o pijama do leão?” “O que o macaco gosta de comer?”

Após o momento coletivo de leitura, os estudantes puderam apreciar outros livros que estavam numa grande caixa decorada, nomeada “Baú mágico da leitura”. Lá estava não só o livro que foi lido pela professora, mas também, outros importantes títulos da literatura destinada a esse público que cada vez mais merece ter o seu direito de acesso à leitura respeitado.

Além de pão de queijo, suco, bolo, e outras guloseimas, as crianças apreciaram, durante toda manhã, as delícias de uma boa leitura e se transportaram para um universo de possibilidades.

Os vários benefícios da leitura já são conhecidos: quem lê se expressa bem por meio da escrita, tem um repertório de vocábulos muito mais avançado do que aquele que não possui essa prática; através da leitura temos possibilidade de ter contato com culturas diferentes; lendo nos tornamos reflexivos, ou seja, formamos ideias próprias e desenvolvemos uma visão crítica dos fatos; através da leitura falamos e escrevemos melhor, sabemos o que aconteceu na nossa história, o porquê disto ou daquilo. Dentre muitas outras possibilidades, a leitura nos leva ao encontro das respostas de muitos dos nossos questionamentos.

Levar a leitura ao encontro do aluno e vice-versa é um compromisso de todos os envolvidos e comprometidos com a educação. Por isso, a escola e o professor exercem papel fundamental na mediação para a construção desse conhecimento.

Juliana Caires Pereira – Mestranda em Educação e Formação Humana pela Universidade do Estado de Minas Gerais – Contato: jucaires_aj@yahoo.com.br

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