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Parceria Universidade-Escola Básica: Olhares sobre a Educação Infantil – exclusivo

Isabel de Oliveira e Silva

Prezada professora Juliane Correa – Diretora da FaE-UFMG,  prezada professora Mayrce Terezinha de Freitas – PBH, prezado Professor Paulo Sérgio Lacerda Beirão – FAPEMIG, prezada Professora Noeme Rosa de Carvalho – Representante das UMEIs Grajaú e Silva Lobo, queridas professoras das UMEIs Grajaú e Silva Lobo, queridas professoras das demais UMEIs de Belo Horizonte e da Secretaria Municipal de Educação, queridas e queridos estudantes da graduação e da Pós Graduação da Faculdade de Educação da UFMG

Estou aqui em uma tripla condição: a de representar o Programa de Pós Graduação em Educação da UFMG, o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Infância e Educação Infantil e a coordenação das pesquisas que ora encerramos com este seminário.

É com muita alegria que recebemos vocês aqui hoje.

Este seminário, planejado e construído com muito carinho pelas equipes de pesquisa, com a colaboração de muitas outras pessoas, é a culminância de um rico e desafiador processo de construção de conhecimentos sobre a Educação Infantil e seus atores: crianças, professoras e famílias.

Um processo que se iniciou em 2012, com o lançamento do Edital FAPEMIG/ CAPES de Pesquisas sobre Educação Básica. A área da Educação Infantil se fez presente com vários projetos de grande relevância acadêmica e social. Dentre eles, os três que agora encerramos, coordenados pelas professoras Iza Rodrigues da Luz, Maria Inês Mafra Goulart e por mim foram direcionados para as UMEIs Grajaú e Silva Lobo por meio de parceria com o projeto EDUCA, da Prefeitura de Belo Horizonte, coordenado pela querida Isa Teresinha Ferreira Rodrigues da Silva.

Ao nos associarmos a esse projeto, tínhamos em vista o fortalecimento de ações que já vinham sendo desenvolvidas naquele território e, em especial, nas UMEIs Grajaú e Silva Lobo. E esse fortalecimento ocorreu naquilo que é competência e dever da universidade: construir conhecimentos sobre a realidade com compromisso com a transformação da realidade e com a construção de uma sociedade mais justa.

No caso dessas pesquisas, destacamos a importante iniciativa do Edital FAPEMIG/CAPES que previu que professores e professoras da educação básica integrariam formalmente as equipes de pesquisa. Se em nossas práticas de pesquisa já reconhecíamos a escola e seus professores e professoras como ambiente e sujeitos produtores de saberes, o reconhecimento institucional dessa condição fortaleceu nossas convicções e nossas ações.

Mais do que isto, criou condições materiais e institucionais para a efetiva participação desses atores. No caso das pesquisas desenvolvidas nas UMEIs Grajaú e Silva Lobo, as professoras Júnia Oliveira, Noeme Carvalho e Marcia Cabral integraram as equipes de pesquisa de forma não apenas competente, mas compromissada com a construção de conhecimentos sobre a escola, sobre seus processos e seus atores.

A elas, o nosso reconhecimento do lugar insubstituível para a construção de conhecimentos que almejem alcançar a complexidade do fenômeno educativo.

O livro que será lançado neste encontro é um dos resultados do rico processo vivenciado nesses 3 anos de trabalho conjunto entre a Universidade e a Instituição de Educação Infantil. Nele, somos, como estamos acostumadas a ser no nosso ofício de pesquisadoras, autoras de textos que apresentam parte dos resultados das investigações realizadas. Mas, diferentemente do que é mais comum na produção acadêmica, somos co-autoras ao lado das professoras dessas duas UMEIs.

Por essa razão, queremos expressar o nosso reconhecimento do protagonismo da FAPEMIG em parceria com a CAPES, no fortalecimento do compromisso da Universidade com a Educação Básica brasileira e desejamos que o mesmo seja reeditado de modo a proporcionar a continuidade dessas ações.

Para finalizar, não poderia deixar de mencionar que nosso seminário ocorre em um momento sombrio da história brasileira. Tenho dito que nem nos meus piores pesadelos, poderia imaginar ver uma juíza brasileira, em 2016, autorizar práticas de tortura contra estudantes que ocupam suas escolas em defesa da educação pública. Entre tantos outros sinais de que a barbárie tornou-se aceita para muitos brasileiros, incluindo aqueles que por dever de ofício deveriam impedi-la, mencionarei apenas este que simboliza nossa indignação com a forma como nosso país trata as crianças e os jovens.

E, se estamos neste auditório, é porque outros estudantes resolveram ocupar também várias unidades a UFMG, dentre elas, a Faculdade de Educação. Um sinal de que é possível ter esperança de que, apesar de tudo, não nos submeteremos sem resistir a esse estado de coisas.

Isto torna ainda mais relevante o investimento e a nossa dedicação às políticas para a infância e à educação dos bebês e das crianças pequenas de nossa cidade e de nosso país. É essa etapa, a Educação Infantil, o início da Educação Básica e não é demais reafirmar isto nesses tempos de desmonte do Estado brasileiro.

Nossos sinceros agradecimentos à presença de todas e de todos vocês, à direção da Faculdade de Educação, à FAPEMIG, à CAPES, ao CNPq, aos colegas do NEPEI, a toda a equipe de bolsistas e voluntários das três pesquisas e demais colaboradores que nos ajudaram a construir esse encontro.

Desejamos um ótimo seminário para todos nós!

*Fala na abertura do Seminário OLHARES SOBRE A EDUCAÇÃO INFANTIL – Belo Horizonte, 04 de novembro de 2016

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