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Para Que Parem De Fingir

Para que parem de fingir

Carlos Henrique Tretel

“Vamos fazer uma reforma política que amplie a democracia e aumente a participação das pessoas nas decisões do Estado. Mudar a forma como é feita a política no país, trazer a política para mais perto das pessoas. Vamos juntos debater propostas para uma sociedade mais democrática e participativa” – é o desejo de muitos.

De fato,  trazer a política para mais perto das pessoas talvez seja a única forma de fazer com que parem de fingir nossos governantes acerca, por exemplo,  da existência das leis dos planos nacional, estaduais e municipais de educação. Porque leis, em desuso, mas em vigor, só nos falta, porque exigíveis, que cobremos do estado o cumprimento delas. Se durante as campanhas eleitorais os candidatos fossem instados a esmiuçar robustos programas de governo (dados previamente ao conhecimento público como pré-requisito à compreensão destes durante os debates entre os postulantes aos cargos) certamente não fingiriam com tanta facilidade depois de eleitos, como fingem, porque conheceríamos a fundo seus programas.

Bastará isso, no entanto, para acabar com o fingimento? Simples assim? Talvez não seja, acredito,  medida suficiente para acabar com o fingimento generalizado mas, certamente,  necessária.  Pensemos um pouco. Por amor ao debate, resgatando uma passagem de nossa história recente, a campanha para presidente de 2014, ano em que foi sancionada a Lei do Plano Nacional de Educação, n° 13.005/14, meses antes de nossa ida às urnas. Lembram-se do que aconteceu naquela disputa? O mesmo que acontecera nas disputas anteriores, com os candidatos apresentando à Justiça Eleitoral programas de governo genéricos. Qual o resultado de termos assistido aos debates transmitidos pelas rádios e TVs sem robustos programas de governo de Dilma e Aécio à mão para confrontá-los? Qual a consequência da não realização de debates sobre programas robustos? De termos tido debates genéricos somente?

Infelizmente a história parece que se encarregou de nos mostrar um resultado bem nefasto. O golpe  que assistimos em 2016 (do vice-presidente assumindo o posto do titular, passando, desde então, a seguir o programa de governo do candidato do partido adversário) não teria, talvez, sido possível se tivéssemos conhecido, em tempo oportuno,  os programas de governo dos candidatos. Se os tivéssemos discutido a fundo, também em tempo oportuno. Se tivéssemos inclusive salvo na “área de trabalho” de nossos computadores, em tempo oportuno, o programa vencedor,  a fim de acompanharmos sua implementação. Ninguém poderia, assim, nos empurrar, como fizeram, um programa diferente daquele vencedor nas urnas. Como, no entanto, o programa vencedor não foi, no momento oportuno, dado ao conhecimento público, deu-se margem a que um malandro qualquer o substituísse  por outro…

Vimos Dilma e Aécio, a título de ilustração,  apresentarem as estratégias de que lançariam mão, se eleitos,  para o cumprimento da Lei do PNE aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional à época? Não. Fingiram inexistir a lei, mesmo que sancionada sem vetos pela presidente poucos meses antes da realização dos debates. Se os caciques podiam e podem fingir  assim, o que esperar do restante da tribo? Fingimento também.

“Mudar a forma como é feita a política no país, trazer a política para mais perto das pessoas” é, pois, uma proposta urgente, necessária e que demandará, a meu ver, para que as pessoas a aceitem, programas de governo robustos. Em muito boa hora, embora hoje enfraquecida, foi lançada outrora a campanha PNE PRÁ VALER. Agora, boa hora para PROGRAMAS DE GOVERNO PRÁ VALER, de maneira que nos seja possível identificar quem tem proposta de fato para que a Lei do PNE seja cumprida. O resto é, e sempre será, blá-blá-blá.

A boa notícia é que o momento por que passamos é muito bom, por mais paradoxal que pareça, para que nos manifestemos quanto a isso. No domingo passado houve um encontro para debater os desafios da esquerda no mundo. Evento em que registrei minha opinião por volta da 1 hora e 10 minutos de gravação. Deixe por lá também a sua, leitor e leitora.

Pressionemos partidos/coligações para que nos tratem, eleitores, com respeito, apresentando-nos, em tempo oportuno, antes do início do horário eleitoral gratuito, robustos programas  de governo. Prá valer. Para que parem de fingir.

 

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