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Os desafios e as possibilidades da pesquisa em Educação é tema de conferência

Cláudia Chaves Fonseca

 

Quais elementos devem ser considerados ao se iniciar uma pesquisa em educação, tendo em vista a variabilidade de temas que a área comporta? Para debater essa e outras questões o Grupo de Estudos em Educação e Culturas (EDUC), do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC Minas, promoveu, no dia 14 de novembro, a conferência intitulada Pesquisa em Educação: desafios e possibilidades, com a presença dos professores Luiz Alberto Gonçalves (FaE-UFMG) e Juarez Dayrell (FaE-UFMG), mediados pela professora Sandra Tosta (PPGED – PUC Minas).

“O tema de uma pesquisa pode surgir de situações imprevistas”, afirmou o prof. Luiz Alberto. Ao relembrar sua trajetória acadêmica, ele contou que ingressou no mestrado com um determinado tema, mas ao assistir uma palestra foi encorajado por um professor a pensar nas relações étnico-raciais. “Eu não havia pensado nisso inicialmente, mas acredito que o contexto em que vivemos é importante para a eleição dos temas de pesquisa: não podemos fingir que os temas não estão à nossa porta”, ressaltou.

Ao concordar com o colega, o prof. Juarez Dayrell disse que a eleição de um tema – e posterior objeto – de pesquisa é fruto de uma articulação “nem sempre consciente, ou pelo menos não consciente no momento da escolha”, entre a adesão pessoal (ou seja, o “gosto” pelo assunto) e o contexto sócio-político de realização do estudo. “Reafirmo aos meus orientandos a importância de se conhecer o campo de estudos, para se alcançar tanto a clareza a respeito do que se quer estudar quanto da relevância do estudo para a sociedade”.

Dayrell advertiu os doutorandos presentes à conferência de que a pesquisa em educação muitas vezes é criticada pela reiteração de temas, sem o consequente avanço da área. “O início de uma pesquisa é uma etapa que exige discernimento. Existe uma diferença entre problema social e o problema sociológico de pesquisa.” O docente afirmou que, algumas vezes, o estudante confunde a investigação com a militância. “Como orientador, encorajo meus alunos a manter vínculos com a realidade pesquisada, como cidadãos que são. No entanto, como pesquisadores, precisamos exercitar um certo distanciamento.” O professor Luiz Alberto concordou com essa afirmativa, acrescentando que “a pesquisa em Educação nos ajuda a conhecer mais a realidade, a se posicionar sobre ela, mas não é prescritiva, não vai solucionar imediatamente os problemas. Essa é uma tarefa que se inscreve na dimensão das decisões políticas”.

Durante o debate com os doutorandos, ambos os professores afirmaram que “pensar o processo educativo é pensar em pessoas” e que é necessário conhecer a bibliografia estrangeira, mas com a devida cautela, evitando a transposição “uma vez que entender o contexto de pesquisa é fundamental”.

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