O impresso como estratégia de formação: Revista do Ensino de Minas Gerais (1925-1940)

Lucas José Magalhães Alves

Com tantas ameaças diárias ao debate crítico e ao pensamento livre, vindas de várias instituições e grupos, resgatar nossa memória é essencial para recordar nossos embates e valorizar todas as conquistas que obtivemos até aqui. Uma estratégia importante de resgate é a leitura e análise criteriosa a partir de escritos e registros das gerações que nos precederam. Dentre os materiais existentes em nossa cultura escrita, possuímos um considerável número de periódicos que podem ser utilizados para esse objetivo.

Este é o caso, por exemplo, da Revista do Ensino, importante periódico criado em Minas Gerais no final do século XIX e que, a partir de uma reformulação nos anos de 1920, era indicado para as Professoras e os Professores que desejavam se informar sobre as questões do estado e compartilhar histórias e experiências enquanto docentes. A fim de compreender a revista, ela foi analisada pela Professora Pesquisadora Maurilane de Souza Biccas em seis distintos capítulos em seu livro O impresso como estratégia de formação: Revista do Ensino de Minas Gerais (1925-1940), livro originado de sua tese de doutorado defendida na USP. Na obra a Professora busca analisar as edições que circularam entre os anos de 1925 e 1940 da revista e faz minuciosas análises de itens textuais como capas, versos de capas, quarta-capas, anúncios, ilustrações, fotografias, formatos e disposições de páginas em um trabalho que leva os leitores e pesquisadores que possuem interesse nas áreas de História da Educação e Cultura Escrita a se inspirarem.

Apesar do recorte temporal, Biccas não se intimida e também entrega ao público ponderações do contexto histórico-político, do nascimento do periódico em 1892 e do seu fim em 1971. A pesquisa feita pela autora não faz apenas descrições da revista, muito pelo contrário, são feitas análises críticas e sérias, explorando notavelmente o campo teórico da área de educação. Com bases em seus estudos, Biccas evidência sobre os embates e representações de diferentes agentes históricos em uma época em que existem amplas mudanças na sociedade educativa de Minas Gerais. A autora faz investigações desde reformas na área educacional e aborda temas como as relações entre o ensino confessional e escola novista dentro do estado.

O livro cumpre o importante papel de situar a cultura escrita do período oficial utilizado pelo governo para realizar o embate de representação do campo de educação e por isso sua leitura leva o leitor a entender a materialidade do periódico, do pensamento e do contexto vivido pelos professores mineiros em uma época de grandes mudanças no ensino primário do estado de Minas Gerais. A obra demonstra ser para diferentes públicos que desejam resgatar a memória de nossa sociedade e fundamental para estudos da área de História da Educação e Cultura Escrita em Minas Gerais no período.

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