O IDEB e a realidade do Estado do Ceará: o exemplo de Sobral* – exclusivo

Pergentina Parente Jardim**

Virginia Pereira da Silva de Ávila***

Em setembro de 2016, com a divulgação dos resultados do IDEB, Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira, nossos olhos se voltaram para a terra de excelentes humoristas, cantores, intelectuais e poetas. Esse índice é calculado com base na taxa de rendimento escolar (aprovação e evasão) e no desempenho dos alunos no SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) e na Prova Brasil.

O bom rendimento do Estado Ceará, pode ser observado na avaliação do 1º ao 5º ano, ocupando a sexta melhor colocação do país, com nota 5,9, enquanto a média nacional é 5,5 e a do Nordeste 4,8. Com relação aos dados do intervalo entre 6º e 9º ano, o Estado obteve 4,8. Mesmo sendo um índice mais baixo, o Ceará se mantem na quinta posição do país, com nota superior aos 4,5 da média nacional e aos 4,0 da região. Passado o momento de comemorar as metas superadas, vale a pena refletir sobre as estratégias utilizadas para a melhoria da aprendizagem dos alunos.

A Cidade de Sobral, por exemplo, teve um excelente desempenho nos resultados. Do 1º ao 5º ano o índice foi de 8,8 e do 6º a 9º ano o índice de 6,7. Dentre as 10 melhores escolas avaliadas no Estado do Ceará, 5 estão localizadas em Sobral.

Fonte: INEP

Mediante esses resultados faz-se necessário compreender quais fatores contribuem para o sucesso dos alunos e professores da rede estadual cearense. No âmbito da política do governo estadual encontramos um conjunto de ações, entre as quais destacamos cursos de formação destinados aos secretários municipais e gestores de escolas, visando uma melhor utilização dos métodos e materiais do Plano Nacional de Alfabetização na Idade Certa (PNAIC). Somam-se a esses fatores os investimentos realizados pelos Governo Federal e Estadual na capacitação dos professores.

Na cidade de Sobral as ações foram direcionadas ao fortalecimento da gestão escolar. A escolha dos(as) gestores(as) é realizada mediante processo seletivo, respeitando-se a autonomia financeira e pedagógica. Aspectos como Formação Continuada, incremento nas ações pedagógicas, formação do núcleo gestor e dos professores se constituem como políticas do governo municipal. Os espaços pedagógicos como sala de leitura e bibliotecas foram revitalizados para maior acesso dos alunos e ainda, a compra de material didático atualizado.

Outro aspecto, e por sinal, o mais importante, está relacionado à política de valorização do magistério e gratificações por desempenho. Uma das maiores preocupações dos Gestores de Educação do Município de Sobral era que os resultados das escolas não deveriam apresentar disparidades entre si. Como se observa no caso de Sobral, os resultados foram uniformes, sinalizando para uma política educacional planejada a curto, médio e longo prazo.

O grande desafio é disseminar essas experiências, para que não sejam perdidas e para que mais estados no Brasil possam alinhar ações visando a garantia do direito de aprender. Como diria Anísio Teixeira: “é preciso alargar as chances educativas das crianças das classes populares e dotar a escola pública de um ensino de qualidade”.

 

* Este texto é fruto das reflexões desencadeadas no Programa de Pós-graduação em Formação de Professores e Práticas Interdisciplinares (PPGFP) da Universidade do Estado de Pernambuco, campus Petrolina, acerca dos resultados obtidos pela rede pública estadual do Ceará nas avaliações em âmbito nacional.

** Pergentina Parente Jardim é professora da rede estadual de ensino do Ceará. Aluna do Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores (Mestrado Profissional) da Universidade de Pernambuco, Campus Petrolina.

*** Virgínia Pereira da Silva de Ávila é professora do Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores (Mestrado Profissional) da Universidade de Pernambuco, Campus Petrolina.

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