Novo número do Pensar a Educação em Revista: “Educação e História do Ensino Religioso” – exclusivo

Evelyn de Almeida Orlando 

Alexandra Lima da Silva

Está no ar o segundo número do periódico Pensar a Educação em Revista! Esta edição traz uma revisão bibliográfica sobre o tema “Educação e História do Ensino Religioso” como um desafio para pensarmos em questões que estão presentes em nosso cotidiano, diretamente ligadas a nossa cultura, ao modo como nos vemos e nos organizamos socialmente. 

Considerar essa temática como um objeto da educação significa reconhecer a presença da força da educação religiosa como instrumento disciplinar que molda os indivíduos pelos seus hábitos, valores, comportamentos e crenças. Tal educação vai além do espaço escolar, de fato, mas está presente de forma significativa também nesse espaço na disciplina de Ensino Religioso e transversalmente nas outras disciplinas e na própria cultura escolar, seja a instituição em questão pública ou particular.

Há pelo menos trinta anos no Brasil os pesquisadores do campo da História da Educação têm ampliado suas lentes para considerar outros objetos de pesquisa fundamentais para a compreensão dos fenômenos sociais. Nesse sentido, alguns caminhos explicativos têm passado por questões relacionadas a gênero, geração, etnia, dentre outras. As religiões e religiosidades, no entanto, ainda têm recebido pouca atenção dos nossos pesquisadores, seja no campo da Educação ou da História da Educação.  E isso precisa ser repensado.     

Primeiro, porque estamos falando da única disciplina escolar que se encontra na Constituição Brasileira. Isso, considerando que somos um Estado laico, faz refletir sobre o peso dessa disciplina em nossa formação e em nossa sociedade.

Segundo, pelo caráter em que é ministrada. Prevista como uma disciplina de caráter facultativo, as pesquisas têm indicado que na prática, em muitos lugares, acontece no horário regular das disciplinas. E ocupam um tempo maior do que o previsto na legislação, uma vez que hábitos religiosos como momentos específicos de oração, de músicas, feriados de dias santos, símbolos como crucifixos e imagens já se constituem como parte da cultura escolar e não apenas como componente curricular.

Terceiro, porque se trata de uma disciplina sobre a qual os Estados têm autonomia e, por isso, a discussão sobre uma formação específica ainda está em andamento e de forma muito embrionária. Logo, o professor que a ministra fica refém da sua própria cultura religiosa e do livro didático, o qual, na maioria das vezes, apresenta exclusivamente ou de forma predominante um único viés religioso, apagando a pluralidade que constitui a cultura religiosa no Brasil.  

Quarto, porque somos um país marcado enfaticamente pela pluralidade cultural, e a religião como um desses elementos não é abordada nessa dimensão, o que apaga uma parte importante da nossa cultura e identidade como indivíduos e como sociedade. Além disso, esse apagamento silencia um grupo de indivíduos que não se encaixa nos moldes socialmente aceitos. A hegemonia de determinadas religiões e o modo como extrapolam do foro privado para o público nos incitam a pensar sobre a cristalização de determinadas visões de mundo como modelos que incidem diretamente nas decisões que determinam o modo como a sociedade se organiza em suas diferentes instâncias. 

Quinto, porque vemos todos os dias situações de intolerância religiosa que nos fazem pensar como estamos formando nossas crianças, nossos adolescentes, nossos alunos. Por que tratamos essa questão como se fosse uma questão de tolerância? Não estamos com isso afirmando a supremacia de uma religião sobre outra e, em contrapartida, a concessão de deixar o outro existir e se expressar? Mas é esse o ponto? Precisamos de tolerância ou de respeito à diversidade? Não seria esta uma das principais marcas da nossa identidade: a pluralidade?

Poderíamos continuar elencando uma série de outros fatores, mas pensamos que estes são suficientes para demonstrar a necessidade de se pensar e discutir essa questão no âmbito da educação. 

Não pretendemos reduzir os espaços da educação apenas à escolarização. Mas, como estamos falando de um componente curricular, esta instituição recebe atenção privilegiada. Se por um lado não podemos atribuir responsabilidades à escola que não cabem apenas a ela, por outro não podemos negar o seu peso na formação dos indivíduos. Nesse sentido, algumas questões relacionadas a esse problema vêm à tona: qual o papel da disciplina de ensino religioso? Que formação deveria ter o professor responsável pela disciplina? Como a questão da diversidade religiosa – aspecto indiscutível de nossa cultura – tem sido abordada? Como o ensino religioso tem contribuído para o desenvolvimento da cidadania?

Nesta edição, o texto Educação e História do Ensino Religioso, elaborado pelo professor Sérgio Rogério Azevedo Junqueira, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e especialista na temática, aborda diferentes caminhos para se pensar a relação entre educação e ensino religioso. No texto, além dos artigos indicados disponíveis na rede, o autor apresenta um balanço da produção sobre o tema, permitindo ao leitor um leque mais ampliado de fontes para a pesquisa e elenca nesse rol, pensadores com posturas distintas nesse cenário, um movimento que coloca o leitor frente a diversas possibilidades de leitura e oferece subsídios para um posicionamento pessoal, fundamentado cientificamente. Vale a pena conferir!

Deixamos o convite a uma boa leitura e convidamos a todos a fazerem bons usos do material disponível para pesquisa. É só acessar:www.pensaraeducacaoemrevista.com.br  

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