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NÃO dê LIGANÇA! – assim falou o contemplador de astros.

Ivane Laurete Perotti

 

A liga aconteceu no escorrer das primeiras palavras. Foi cola lexical à primogênita enunciação: a sintaxe deu linha, fisgou a frase, e o discurso derreteu-se em moléculas de admiração. Impraticável neutralidade. Que a química permitisse a descarga elétrica das vívidas histórias naquele espaço único: seria ali, sempre ali, ao sabor de um grande projeto, que as falas encontrariam eco.

Umberto?

Não!

Eco!

 

Foi então que, toma para si, aquele Zoroastres, o cajado da poesia.  A seu comando, as estrelas confessas rodopiam sons líquidos: borrascas de experiências líricas. Vozes imbricadas em sílabas tonais somam outras vozes, encadeadas, todas elas, à esperança de uma construção conjunta. Faz-se, em salvas, um contrato de comunicação: a Rádio Educativa UFMG – parente do albatroz – alça autorias.

Parente do albatroz? Qual é, Zoro!

Albatroz gigante!

Não entendi!

Pensa…

Penso!

Voo?

Ah! Óbvio!

 

Narrativas desencavam narrativas. Projetos ancoram projetos. Professores içam ideias. Escolas varam a vida, fecundas práticas: alforria. Aglomerados globulares debulham-se, abundantes, sobre a mesa do professor-locutor/locutor-professor. Para além do homem, muito além dele, outros homens assomam-se aos cabos das letras porosas. Um alfabeto inteiro abre espaço para os signos eletrizantes. Aristóteles não previu a dimensão de tal pathos. Mas ei-lo a nutrir o logos da razão emocional em ondas modulares: a radiodifusão educativa é plano para pensar o “fazer pensar”.

Se liga, Brasil!

Liga!

Liga-se!

Que se ligue!

Dê ligança, Terra de Vó-Benta!

Dê ligança!

 

A simples noção de vitória filtra-se pelos olhos do locutor/professor. O sol acordaria outros tantos dias no planeta de ardidos “ais”. Acordaria para o balanço dos berços vazios. Acordaria para o rastro de pés descalços: “Não dê ligança!/ Sacode a pança e alevanta o aventar/… campão de gente grande/ tem trança de amordaçá/. Rebenque que treme a manga/tem cheiro de mafuá/

 

Aí que tá!

Eco!

Nietzsche!

Pega logo o panteão inteiro e leva para o Professor Tarcísio.

Locutor?

Übermensch!

 

*Este texto é uma homenagem à equipe da Rádio UFMG Educativa.


Imagem de destaque: Pedro Cabral

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