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Integrando os quatro pilares do século 21: Educação de Qualidade para a Era Pós-Contemporânea

Vagner Luciano de Andrade

A saudade dos Anos 90 evidencia no tempo presente o modismo e o saudosismo de uma época que se foi. Quem se lembra das aulas de datilografia, das fitas cassete, das fitas de vídeo, dos discos de vinil, dos disquetes que guardavam dados, dos filmes de máquinas fotográficas, onde estão se estavam aqui há 20 anos? Jaz na memória e fazem parte de um passado recente.Onde estão as cores fortes, a alegria e os vários ritmos dançantes. Sobretudo a década de 1990 apresentou muitas transformações impactantes na história da humanidade.

O ecúmeno mudou novamente e o mundo não é mais o mesmo. Novas mentalidades encontram-se em sedimentação e faz-se necessário elencar um marco comum para a humanidade que evidencie que mudamos de era. Assim o período entre a Queda do Muro de Berlim e o Ataque às Torres Gêmeas evidencia permanências, alternâncias e rupturas. Cultura, ecologia, economia, educação, política e sociedade se refazem delineando novas tessituras. Longe do discurso do “Fim do Mundo”, a humanidade passa por questões tensas e o Brasil por sua vez enfrenta cenários sombrios.

Atentado às torres gêmeas do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. Fonte:Ciências da linguagem/USP

A era tecnológica dos tempos presentes já não concebe mais a divisão do tempo humano em cinco períodos: Pré-história, Antiguidade, Medievo, Modernidade e Contemporaneidade. O Brasil já não é mais o mesmo desde o Golpe de 2016. Sem se ater às amplas e conturbadas discussões entre historiadores, é preciso repensar esta nova era sob a perspectiva de seus principais quatro pilares:Empreendedorismo, Inclusão, Interdisciplinaridade e Sustentabilidade delineando novos paradigmas societários.Questões muito sérias precisam permear a reformulação da ordem social.

Trabalhar de forma interdisciplinar é o desafio na contemporaneidade, porque ainda não percebemos o significado da interdisciplinaridade. O termo foi bem traduzido por Pereira (2013) comoa tentativa do homem de conhecer as interações entre natureza e a sociedade, entre criação humana e natureza, e em entre formas e maneiras de captura da totalidade social, incluindo a relação indivíduo/sociedade e a relação entre indivíduos. Consiste, portanto, em processos de interação entre conhecimento racional e conhecimento sensível, e de integração entre saberes tão diversos, e, ao mesmo tempo, indissociáveis na produção de sentido da vida, individual e coletiva que nos permeia.

A evolução do ser humano. Fonte: vectorpouch / Freepik

Mas é muito pouco, porque possuímos uma formação vinculada ao processo de fragmentação do saber e do trabalho.Precisamos de prática, que segundo Claval(2009) é um conjunto das ações feitas e repetidas (“mecanizadas”), sem reflexõesestruturais profundas. Faz parte de um conjunto de hábitos, comportamentos e cotidianos das classes populares,medianase elitizadas. A prática é, enfim, a parte dos comportamentos decorrentes de um determinado paradigma, que não sebaseianuma reflexão explícita.Assim na era contemporânea, os homenspraticam ações com novos instrumentose o uso da tecnologia.Na era tecnológica, o conhecimento continua desarticulado e fragmentado em apenas quatro áreas básicas: Natureza (Biologia e Geografia), Exatas (Física, Matemática e Química), Humanidades (Educação Religiosa, Filosofia, História e Sociologia) e Linguagens (Artes, Educação Física, Inglês e Língua Portuguesa).

Como está mecanizado, o saber e o fazerdestituem-se de suas essências sociais.Os elementos de Empreendedorismo, Inclusão, Interdisciplinaridade e Sustentabilidade que deveriam permear a formação humana interligando os diferentes saberes não se consolidam enquanto Projeto.E só vamosdesconstruir isso através da educação.

É preciso integrar os quatro pilares do Século 21: Artes, Ciência, Comunicação, Cultura, Direito, Ecologia, Economia, Espacialidade, Esportes, Filosofia, Historicidade, Lazer, Matemática, Mobilidade, Qualidade, Religiosidade, Saúde, Segurança, Sociologia, Trabalho e Turismo. Esses temas, por si só, estão longe de condensar a essência educativa, mais pautam principais questões e temas do mundo presente no sentido de se efetivar uma Educação de Qualidade para a Era Pós-Contemporânea.Assim, o dia 16/08 considerado como o dia do filósofoe19/08, dia do historiador, são convocatóriaspara se pensar e acima de tudo transformar o paradigma vigente.

Parafraseando Chaplin, mais do que máquinas, precisa-se de humanidade; mais do que de inteligência, precisa-se de afeição e doçura, pois sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido. Utopia ou não, qualquer interesse que una os seres humanos parte de uma leitura, de um diagnóstico, da percepção de determinada realidade, que positiva ou negativa se torna motivação para mudanças e sonhos.

Perceber a realidade quiçá se caracterize como um possível fio condutor rumo a uma nova perspectiva de sociedade, mais integrada, sustentável e interdisciplinar.Assim diálogos significativos entre Artes, Biologia, Educação Física, Filosofia, Física, Geografia, História, Inglês, Literatura, Matemática, Português, Química, Religião e Sociologia se fazem urgentes.


 

Ementa do curso Projetos interdisciplinares na escola – Turma 1.2015. Fonte: CentrodEstudos.


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Interdisciplinaridade

Entrevista com o Professor Paul Claval

Imagem de destaque: Jim Garamone

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