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Infâncias e crianças: as transformações ao longo do tempo

Roberta Poltronieri

A existência da criança ao longo do tempo é acompanhada de processos históricos em constante transformação. Nem sempre como centro das atenções, e às vezes até mesmo excluída, a criança é compreendida de forma heterogênea em diferentes épocas e consequentemente sua interação com o meio familiar e social também se dá desta forma. Compreender estes aspectos históricos que perpassaram a vida da criança é tarefa essencial, inclusive, para compreendermos a forma contemporânea que é dada à infância hoje em diferentes segmentos sociais.

A própria noção de infância foi construída historicamente, de forma variável, em acordo com as experiências mais envolvidas com os adultos do que com outras crianças. Durante muito tempo a principal etapa da vida foi considerada a vida adulta, de forma que a infância se apresentava como uma preparação para ingressar nesse momento. Como consequência, o universo que envolveu a criança em muitos momentos refletia as experiencias dos adultos, em relação à escolarização, brincadeiras e formas de socializar-se.

Em vista desse contexto, e em termos gerais, a infância tem sido atravessada por processos econômicos das sociedades e, assim, passou a funcionar como coadjuvante de tais processos em cada época. Desde o surgimento do moderno sentimento de infância, (ARIÈS, 1981) até o século XXI, muitas mudanças ocorreram, mas em todas elas nenhum processo se deu separado dos acontecimentos históricos e econômicos que determinaram boa parte das características do que a criança veio a ser e é no mundo, o que varia em diferentes graus dependendo da classe social à qual pertence.

O contexto mundial da infância, assim como no Brasil, não tem sido dos mais amigáveis. Há uma dicotomia na infância de crianças que nascem em famílias com níveis econômicos altos, das crianças que estão expostas à pobreza e à desigualdade social, e esta percepção é de suma importância para as famílias, a sociedade e principalmente para os profissionais da educação compreenderem que a infância de uma criança branca não é igual a infância de uma criança negra, a infância de uma criança moradora na zona rural não é semelhante a uma criança que vivência a infância nos grandes centros urbanos, e por aí se estende muitos outros exemplos, a fim de refletirmos que as infâncias são vivenciadas de forma heterogênea.

Desse modo, diante das transformações da sociedade contemporânea, e entre elas incluímos a tecnologia, colocarmo-nos na posição de sujeitos que trazem essa preocupação, na busca pela reflexão sobre mudanças e condições para vivenciar a infância, para que a nossa atuação como profissionais da educação nos diferentes contextos não repita um possível tratamento de homogeneização das crianças, aprofundando ainda mais as desigualdades sociais na infância, retirando o diálogo da criança com o mundo infantil escolar ou até mesmo fora da escola.

Referências

ÀRIES, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2ed. Editora Guanabara.1981.

 

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