Yolanda Assunção – Belo Horizonte Caminha Mais Uma Vez Em Defesa Da Educação – Foto – Thiago Rosado

GRAVE: É GREVE!

– apêndices de uma história costurada

Ivane Laurete Perotti

 

Corte, bainha, carretel!

Linha grossa, martelo, cinzel!

Galoneira, calcador…

Lufadas de vento vesgo levantaram as fraldas da casaca. Por debaixo dos pontos de alfaiataria, uma agenda de obscenidades voluntárias escondia-se no bolso de costura rasa. Rasa era a costura, raso era o bocado que mantinha as linhas na mesma casa. De longe, a reboque da moda paladino, vestiam-se os mambembes: volantes vampiros da política brasiliensis.

_ Um para cá, dois para lá!

_ Di-rei-ta! Volver o dorso!

_ Es-quer-da!Volver o rosto!

Empedernidas, as casacas desmantelavam-seem fraldas levadas pelo vento. Vento forte, vento que vinha resfolegante, arrastando tristezas e descuidos, varrendo injustiças e impunidades. Era o vento que subia à marcha do povo do Brasil. Brasil do povo!

É grave! Quando vampiros desdentados ufanam à sombra de sapatos alheios:

_ É greve! – ouvia-se o passo coeso das gentes emergindo à rua.

_ É grave! – sentia-se na pele o retumbar das vozes em coro de maestria.

_ À rua! – dizia o povo.

_ À rua! – pedia o foro.

Então, da tribuna aberta em leque, o púlpito vomitou sandices: cobras e togas inflamam o mal-dito audível verbo! Dizei uma só palavra e saberei quem és! Diriam várias delas e se deixariam ver… ouvir, conhecer!

É grave!

É greve!

Sobre a terra de nossos pais, uma a uma tombam as fraldas das casacas despudoradas. Pois que, para a maldade, há de se saber, existe um tempo: tempo de expirar.

Dos verbos postos, apostos chegam às ruas: vem que vai! Vai que vem!

_ É grave! Vem você também!


Imagem de destaque: Thiago Rosado

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