O Ministro Da Educação, Abraham Weintraub, Durante Apresentação Do Programa "Future-se".Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Fu(Fa)ture-se: o desmonte da educação pública e o alerta para a luta por uma educação revolucionária

Tiago Tristão Artero

A exemplo de países que possuem uma educação elitista, o Brasil caminha a passos largos em direção ao retrocesso. Com ares de Reforma Capanema (de 1942), a Reforma do Ensino Médio, os cortes agressivos na educação pública e o Future-se demarcam uma linha bem clara entre educação para ricos e para pobres.

Mas a discussão é muito mais profunda. Que educação queremos? A Coreia do Sul, China, Japão devem ser nossos modelos? Queremos mesmo uma nação que se perceba como em contínua disputa? Uma corrida desenfreada por um aluno ser melhor do que o outro? Até quando o tom da nossa sociedade será o consumo predatório para que o capitalismo não morra?

Com tantas façanhas da ciência, em todas as áreas, não podemos encontrar uma nova forma de nos relacionarmos e novas condições de existência fora de um sistema regado pelo capital improdutivo?

O fato de a esquerda ceder ao neoliberalismo diz muito sobre a situação atual na qual nos encontramos. Nossas escolas refletem a hegemonia do pensamento liberal. Não deveria ser assim.

Quando se fala em sociedade, a discussão fica restrita ao comportamento, mecanismos de funcionamento para que se mantenham o status quo. Em que ponto nossa educação é revolucionária? A indagação deve retirar desta conta as professoras e professores que para além de explicar conteúdos encaixotados nos moldes liberais e coloniais, indicam novos caminhos e revelam conhecimentos que permitem modificarmos o rumo da sociedade.

Paulo Freire, Dermeval Saviani, Carolina Maria de Jesus e tantas outras e outros são notadamente negados em nossa educação. Quando muito são citados e desenvolvidos em matérias do ensino básico e cursos específicos, havendo ainda um caminho muito longo para que o pensamento revolucionário faça parte, de fato, da organização de nossas instituições e dos mecanismos que poderiam ser alterados em nossa sociedade, rumo a formas mais democráticas e respeitosas de existir neste planeta. Se assim fosse feito, não teríamos a coragem de chamar a Reforma do Ensino Médio de “Novo” Ensino Médio, uma vez que teve como base o Golpe de 2016, nem mesmo aventaríamos que cortes na verba das Universidades são o caminho para desenvolver o país.

Mesmo com a melhora em alguns elementos na humanidade, a radicalização entre as classes sociais fica cada vez mais evidente. A produção de conhecimento, as pesquisas e a ciência como um todo necessitam se concentrar em novas tecnologias inclusivas e novos caminhos para a organização social.

Os grupos que desejam se manter no poder, para manter a hegemonia, apontam qualquer olhar “para fora da caixinha” como pensamento comunista. A sociedade, e incluo aqui a educação como uma de suas bases, tem como dever fazer a crítica ao capitalismo, nos mais diversos pilares e repudiar as acusações de que críticas são destrutivas.

Nossas escolas precisam de uma organização militar? Com que base teórica isso se sustenta? Nossas universidades e o ensino básico precisam ficar limitados às PPPs (Parcerias Público-Privadas)? Amarrados aos seus interesses? Deixar as consciências mansas a partir de uma crítica proferida por uma “nova esquerda” deve ser questionado. Não fosse assim, integrantes de partidos de esquerda não teriam votado a favor da Reforma da Previdência. Isso não significa que não precisemos de uma esquerda nova, no sentido de uma maior articulação e coragem para esclarecer os eleitores e eleitoras sobre a origem das mazelas sociais.

Por fim, fica a reflexão se a educação pública deve ser refém do “Fature-se”, onde universidades serão máquinas de ganhar dinheiro, com a presença de megaempresários em seus corredores, indicando melhores caminhos para nosso ensino e pesquisa.

A última dúvida: se o desmonte pelo Future-se e pela Reforma do Ensino Médio se mantiverem, como reconstruir as escolas e universidades num breve futuro?

Imagem de destaque: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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