O Ministro Da Educação, Abraham Weintraub, Durante  Apresentação Do "Compromisso Nacional Pela Educação Básica".

FORA WEINTRAUB!

Em alguns dos seus discursos, o Presidente Jair Bolsonaro disse que o seu governo não veio construir nada, mas destruir tudo. E, de fato, não se pode dizer, infelizmente, que ele estava mentindo: diuturnamente, as práticas de destruição têm sido a tônica de seu governo.

No entanto, as práticas de destruição do governo Bolsonaro, desde 1º de janeiro, não são inocentes e, muito menos, aleatórias. Elas têm como alvo os direitos das populações mais pobres e vulneráveis e as condições, mínimas que sejam, de construir, aqui, um país menos desigual, mais democrático e mais independente das estruturas do capitalismo global.

O nosso problema é maior porque, não bastasse a insanidade de um Presidente absolutamente despreparado intelectual e moralmente para o cargo que ocupa, Bolsonaro é apoiado, dentro e fora do governo, por um conjunto de funcionários e aliados ineptos para a direção do Estado e inaptos para a convivência democrática.

Dentre os casos mais notórios de indigência intelectual, autoritarismo e descaso absoluto com as regras de conivência democrática e com as “liturgias” do cargo que ocupa está, sem dúvida, o Ministro da Educação Abraham Weintraub.

Desde que assumiu o cargo, em 09 de abril deste ano, Abraham Weintraub vem dando sucessivas mostras de absoluto despreparo técnico e intelectual para o cargo, aliado a um desmedido e assumido desapreço pelas instituições públicas de ensino, notadamente as universidades e institutos federais, instituições às quais não se sente nem um pouco constrangido de atacar politicamente e asfixiar financeiramente.

No entanto, a inépcia de Abraham Weintraub para o cargo de Ministro da Educação não transparece apenas em seu ódio e em seu ressentimento contra as universidades federais e instituições de pesquisa. Ela se materializa em um discurso homofóbico, racista, machista e fundamentalista dirigido a todos e a todas que questionam seus métodos de ação e os fundamentos de seu comportamento como figura pública e Ministro de Estado.

A um Ministro de Estado, sobretudo ocupando a pasta da Educação, não é aceitável práticas anti republicanas e avessas aos direitos humanos e as regras elementares de convivência social. Não se pode aceitar, como razoáveis, a mentira e a agressão como forma de governo e como meios de estabelecer relações com os cidadãos e as cidadãs do país.

Não podemos mais tolerar que, mesmo num governo eleito num processo eleitoral eivado de questionamentos políticos e jurídicos, o Ministério da Educação seja ocupado por uma pessoa que, mais de uma vez, demonstrou ser absolutamente avesso às instituições públicas de educação e, tão grave quanto isto, às regras elementares da convivência civilizada.  Diante de tudo isso, e endossando as vozes as mais diversas, não nos resta outra saída, do ponto de vista ético e político, do que propor, alto e solenemente: FORA WEINTRAUB!


Imagem de destaque: Marcelo Camargo/Ag. Brasil

This Post Has 2 Comments
  1. “Fora Weintraub” é, de fato, urgente.
    Só se for ele posto prá fora, no entanto, juntamente com aquele que o nomeou. Vingativo como é, impossível não é (muito pelo contrário) que Bolsonaro, se pressionado, mais uma vez troque (como aconteceu por ocasião da troca do ministro anterior) “nho ruim” por “nho pior”. Certo é que, para ocupar a cadeira de ministro, a condição única é e continuará sendo (pouco importando a formação, “nho Velez” ou “nho Weintraub” pouca diferença faz) a de não disputar orçamento para a educação. Nos governos progressistas, acostumamo-nos a ver ministro da educação brigando com ministro da área econômica por mais recursos para a educação. Com Bolsonaro à frente, o ministro nho de hoje tem e certamente o nho de amanhã terá que fazer a disputa às avessas. Para permanecer no cargo, por óbvia subserviência àquele que considera gastar muito o Brasil com educação, tem e continuará tendo o ministro da ocasião que fazer todas as vontades da área econômica.
    Necessário se faz lembrar que o programa de governo do então candidato à presidência pelo PSL http://divulgacandcontas.tse.jus.br/candidaturas/oficial/2018/BR/BR/2022802018/280000614517//proposta_1534284632231.pdf dizia textualmente à página 41 que seria possível fazer muito mais com os atuais recursos da educação. Um claro recado de que desconsideraria por completo, como vemos desconsiderar, a Lei nº 13.005/14 (que instituiu o Plano Nacional de Educação) que determina, entre outros avanços, que o Brasil aplique 10% do PIB em educação até 2024.
    “Fora Weintraub” é, pois, necessário mas não suficiente.
    “Fora Chapa Eleita na Eleição Fraudada” parece-me, pois, o suficiente e necessário, a encerrar aliás a única saída.
    Até porque não temos tempo a perder. O FUNDEB vence no ano que vem!
    Uma boa notícia é que a inquietação (felizmente) começa a tomar conta das comunidades. Em Novos Diálogos da Escola Pública participo de um bate papo interessante sobre Creche Direta / Creche Conveniada, https://www.facebook.com/kelly.winck.5/videos/10206205828182790/ sobre perda de direitos enfim.
    Dada a urgência que o assunto exige, sugeri por lá que façamos uma roda de conversa sobre FUNDEB PRÁ VALER, tendo como leitura obrigatória a palestra proferida pela professora Selma Rocha no Sinesp na semana passada, https://www.youtube.com/watch?v=8pd8-mK8c7w&feature=youtu.be&fbclid=IwAR192h1uSvqxl4GTz8C8pyB-1vDgBUMNRtePxO0mb3Ydwktcdzo4OtoUXF4
    Gostaria de sugerir uma roda de conversa semelhante por aqui. Um bate papo sobre o que Selma Rocha nos alerta:
    “…O que o capital financeiro está fazendo é um problema que tem a ver com expectativa de ganho futuro, que tem a ver com a dívida pública brasileira. Esses caras fizeram a reforma da previdência com aquela conversa tosca de que “numa casa se você gastar mais do que você ganha não vai dar certo…”. O problema não é esse. O problema é a rolagem dos juros da dívida pública. Por quê? Porque é uma expectativa de ganhos. E esses cidadãos sabiam que se continuassem no Brasil governos progressistas à frente do Estado a expectativa de direitos poderia crescer. E (crescendo) se fazer cumprir. Se nós tivéssemos, por exemplo, …, OS 10% DO PIB COM A EDUCAÇÃO, …; 2- O DINHEIRO DO PRÉ-SAL para assegurar bibliotecas, livros, materiais didáticos, estruturas de saneamento nas escolas, A REALIDADE DAS ESCOLAS SERIA OUTRA… A discussão que nós precisamos fazer é mais profundo: é sobre a soberania do nosso país e do nosso continente. (…) Todos nós ficamos angustiados. Muita gente me falou que não dormiu na noite de sábado para domingo por causa do golpe na Bolívia. Todos nós ficamos bem preocupados. E é prá ficar. E esse golpe não está separado da soltura do Lula. Ninguém se iluda. Essas coisas são muito bem articuladas. Há motivos para preocupação sim. O problema é como queremos tocar nossa vida. Se alguém acha nesta sala que tem como se esconder desta realidade, desista. Tem uma fala belíssima dos chilenos que eu acho muito legal: nos tiraram tanto que nos tiraram o medo… ”

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