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Erros na aprendizagem: como lidar com eles?

Raquel Angela Speck

Camila Werle

Ao longo da vida adquirimos experiências diversas, algumas bem sucedidas, outras nem tanto. Através das tentativas experimentamos o êxito ou o fracasso. Todos nós sabemos comemorar muito bem o sucesso, vibramos com ele, nos alegramos, somos elogiados. Contudo, será que sabemos aproveitar, da mesma forma, as lições que as experiências não tão exitosas podem nos fornecer? No cotidiano, é comum que as pessoas bem sucedidas sejam colocadas no pódio, servindo de modelo aos demais. Mas até onde somos ensinados a conhecer a trajetória destas pessoas? E na educação, como lidamos com os erros e os acertos no percurso da aprendizagem?

Em uma realidade dicotomizada, onde sempre há a tendência em colocar em lados opostos o feio e o bonito, o bem e o mal, o certo e o errado, nem sempre o erro é bem recepcionado. Por diversos motivos, entre os quais o receio da frustração, o sentimento de incompetência e incredibilidade, perdemos a valiosa oportunidade de analisar os equívocos no aprender por outra perspectiva, mais construtiva. Erros podem se tornar verdadeiros tesouros do saber. Quando um aprendiz erra, ele mostra ao seu mestre o que precisa aprender (ou reaprender se for o caso).

O velho dito popular de que devemos “aprender com os próprios erros” é extremamente sábio, atual e coerente com o processo de construção do conhecimento. Transformar a ideia de fracasso em uma nova oportunidade de aprendizagem, torna-se um caminho pedagógico viável para permitir novas compreensões, novas interpretações, novos olhares e novo conhecimento. Se nada de concreto podemos abstrair de um erro, pelo menos por meio dele aprendemos a como não fazer algo. Também é pertinente, no contexto pedagógico, aproveitar a lição de outra conhecida frase, que afirma que “errar é humano”. Se trabalhamos com pessoas, e se estas pessoas estão na condição de aprendizes, então certamente que os equívocos, os tropeços, os enganos, ou seja, que os erros, estarão constantemente presentes. E isto não quer dizer que todo o processo foi inválido, mas apenas que não se chegou ao resultado esperado e que sempre é possível tentar novamente.

Lembremos da valiosa lição deixada por Thomas Edison, cientista brilhante que se tornou muito conhecido por inventar a lâmpada, e que afirmou após muitas tentativas não exitosas: “Eu não falhei! Apenas encontrei 10 mil maneiras que não funcionam”. Que esta maravilhosa invenção, que utilizamos o tempo todo, nos inspire a ter sempre em mente que o caminho da aprendizagem nem sempre é linear, e que para chegar ao êxito percorreremos, muitas vezes, caminhos sinuosos.

Disto, queremos destacar o papel pedagógico do erro. Se assim se optar por considerá-lo, o mesmo pode servir como suporte à aprendizagem. Cabe ao educador, enquanto avalia, aproveitar as potencialidades dos equívocos de seus alunos. Enxergá-los sob outra perspectiva, quem sabe até mais desafiadora aos olhos de quem aprende e de quem ensina. Comecemos a lidar com o erro como sendo nosso professor e amigo, como possibilidade de ensino e de aprendizagem e como desafio a ser superado no alcance dos objetivos educacionais.

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