Educação e Catolicismo, tema da nova edição do Pensar a Educação em Revista – exclusivo

Evelyn de Almeida Orlando

Alexandra Lima da Silva

Acaba de ser lançado mais um número do periódico de revisão bibliográfica Pensar a Educação em Revista sobre o tema Educação e Catolicismo. Este número nos provoca a refletir sobre a presença da Igreja Católica na educação brasileira e seus desdobramentos nos processos de escolarização da sociedade em diferentes momentos da história. O texto, elaborado pela professora Paula Leonardi, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, especialista na temática, aborda dois caminhos para se pensar a relação entre educação e catolicismo: os debates sobre a laicidade e a presença das congregações religiosas no país, especialmente, na educação. No texto, além dos artigos indicados disponíveis na rede, a autora apresenta um balanço da produção sobre o tema nesses dois eixos, privilegiadamente, oferecendo ao leitor uma contribuição ao seu repertório de leituras sobre este tema.

A escolha da temática se justifica pelo fato de que, apesar do expressivo aumento da pluralidade religiosa a partir das últimas três décadas, o catolicismo se mantém com marcas indeléveis em diferentes espaços sociais, indicando a força da tradição católica como fundamento da religiosidade e da própria cultura no Brasil. Mesmo, conscientes de que somos um Estado laico, em diversas repartições públicas é possível encontrar símbolos representativos da fé católica, como crucifixos, terços e imagens sacras, naturalizados por grande parte da população.

No âmbito da educação, o conceito de civilização ganha relevo e durante muito tempo, civilizar foi sinônimo de catolicizar a população. Mesmo após seu afastamento oficial com a instauração da República, sua presença nos projetos de reorganização da sociedade, que tomaram fôlego a partir dos anos de 1920 e 1930, sempre foi expressiva e, apesar da laicidade que caracterizava a República brasileira, conseguiu que o Ensino Religioso se mantivesse como disciplina escolar, assegurado pela Constituição de 1934 – ainda que facultativo –, garantia que se estende até os dias de hoje. Em larga medida, podemos dizer que a representação que a Igreja Católica adquiriu na sociedade brasileira a tornou uma voz de peso considerável nas questões acerca da educação. O seu posicionamento aberto sobre o retrocesso nas políticas públicas atuais que visam limitar os gastos do Estado e reorganizar o currículo do ensino médio são marcas dos modos como assume sua presença em relação a esse campo e se posiciona nos debates educacionais. Seja em favor ou contra determinadas medidas do Estado, como é o caso atual, sua participação sempre foi efetivamente ativa e representativa de uma autoridade reconhecida.

A historicização das nossas tradições permite compreender melhor os caminhos de construção da nossa cultura. Ao falar da relação entre Igreja e educação, não pretendemos, com isso, reduzir os espaços da educação apenas à escola. De muitos modos, o conhecimento se produz e reproduz em uma sociedade. Nesta edição, no entanto, a escola aparece como instituição privilegiada no artigo da professora Paula Leonardi, que busca compreender melhor a construção de alguns debates em seu entorno assim como a ação de diferentes sujeitos que desenvolveram projetos e práticas em sua direção com o intuito de promover uma formação calcada em bases católicas, como foi o caso das congregações.

Queremos, com isso, convidar todos a visitarem nossa página e fazerem bons usos da nova edição. A todos os interessados, acreditamos que este é um caminho de entrada no tema; temos certeza de que os textos indicados remeterão a outros tantos mais. Deixamos a todos o convite a uma boa leitura!

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