Editorial 250 – Banksy

Contra uma política da morte, uma Pedagogia da Vida

Vivemos dias em que não é exagerado dizer que a morte se fez política e estabeleceu-se entre nós. A queimada das vidas na Amazônia, o governador que comemora a morte de um cidadão pela polícia e o escárnio dos procuradores federais com o sofrimento do ex-Presidente Lula  nos dão  mostras imediatas e contundentes da forma de governar defendida e mobilizada pelo bolsonarismo e espraiada pelo território nacional.

Nos campos da educação, da cultura e das ciências não tem sido diferente.  Também nestas áreas, o lema do Presidente Bolsonaro tem sido “destruir para governar”. Da educação infantil à pós-graduação, dos museus à produção cinematográfica, dos laboratórios às instituições de financiamento, tudo se quer destruir e arrasar.

Nestes momentos, mais do que nunca, faz-se necessário lembrar e fazer ver que somos muito mais do que isso que nos quer impor o bolsonarismo. Não é necessário ser piegas ou ingênuo para reconhecer que a vida pulsa resistente e criativa, nas mais diversas ações e tradições cultivadas por milhões e milhões de brasileiras e brasileiros que não se curvam ao bolsonarismo.

Na dança e na música, nas formas de plantar e de colher, de cozinhar e de comer, no cinema e na poesia, nos laboratórios e nas salas de aula, nas ruas e nas casas, na política e nas formas de amar, nas conversas e no silêncio das orações, há resistências e prenúncio de que o fascismo não encontrará abrigo permanente entre nós.

Sim, há resistência!! Silenciosas ou barulhentas, explícitas ou escondidas, a observação cotidiana nos dá mostras de possibilidades infinitas sendo cultivadas. São palavras, gestos, ações, sorrisos, xingamentos, arrepios no corpo e cores no corpo. Em todos os cantos há solidariedade e gestos de gratuidade e beleza que o bolsonarismo não anula nem apaga.

Na educação, o combate às nossas melhores tradições democráticas simbolizadas pelas obras de Paulo Freire, os profissionais da educação e o alunado têm respondido, sistematicamente, com mais Paulo Freire e menos Bolsonaro e seus asseclas. Ameaçadas e atacadas cotidianamente das formas mais vis e violentas, as professoras lutam politicamente, mas não deixam de, todos os dias, em cada cidade e escolas brasileiras, acolher as crianças, delas cuidar e educar. A uma política da morte, respondem com uma ética do cuidado e uma PEDAGOGIA DA VIDA.


Imagem de destaque: Banksy

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  1. Sim, há resistência. Sim, em todos os cantos há solidariedade e gestos de gratuidade.

    Que necessitam, no entanto, se multiplicar.

    Pois só assim não permitiremos que a bárbarie encontre solo fecundo para se desenvolver entre nós.

    Como bem diz o professor Douglas Belchior, que apresento a vocês a seguir, é preciso não se render à lógica da bárbarie em que a gente está hoje.

    E havendo casos em que um de nós sequer tenha seus direitos humanos violados,

    https://youtu.be/4_93RdmAX_M

    haveremos (mediante crescente solidariedade) que, como sugere Douglas,” provocar averiguações e processos, no sentido de buscar a vítima, de identificar seus familiares.”

    Colocando-nos ao lado de todos eles, contra a barbárie.

    Dia 07, pois, todos à rua por mais está bandeira, direitos-humanos-já.

  2. A Constituição Federal da República Federativa do Brasil é a nossa Lei Maior.

    Os que tem familiaridade com ambientes educativos, entre eles a escola, sabemos que o respeito à Constituição é dever de todos, dever a ser ensinado, pelo exemplo inclusive, às nossas crianças.

    Pelo exemplo inclusive, logicamente, do presidente da república. Não por outra razão, todo e qualquer presidente presta ao tomar posse juramento de respeitar e, mais ainda, defender a Constituição.

    Daí que tirarmos o presidente da república atual (um mal exemplo por excelência) do lugar em que se encontra é, digamos assim, o dever de casa de todos nós no momento, porque o impeachment de Bolsonaro será melhor para o Brasil.

    Imaginemos, por exemplo, como será constrangedor, amigos Inconfidentes dos grupos de zapzap de que participamos (“Juntos pela Educação” e “SindUte-Inconfidentes”) quando tivermos que motivar as crianças a serem cada vez mais patrióticas por ocasião dos desfiles do próximo dia 07 de Setembro (ensinando-lhes a importância de amar a pátria, respeitar os símbolos nacionais e a constituição federal) tendo à frente da república um presidente que defende abertamente algo que a constituição federal proíbe terminantemente, a tortura.

    Não dá né?…

    Não dá para a gente criar nossas crianças ensinando a elas que tortura é um crime http://www.centrodireitoshumanos.org.br/a-constituicao-federal-brasileira-e-a-tortura/ se elas continuarem vendo o presidente da república defendendo esse (entre outros) crime.

    Esta semana, em especial, cresce a indignação de todo o mundo civilizado com o que defende Bolsonaro.

    O presidente do Chile rechaça a tortura defendida por Bolsonaro, https://youtu.be/ZVZ8amxNm7o

    O jornalista Reinaldo Azevedo (de quem discordo em muitos assuntos) também,
    https://youtu.be/5VbWNPMdYyU

    O mundo civilizado está chocado com o despresidente que temos…

    Afinal, não dá para ser civilizado e ter apreço pela tortura. O mundo está chocado com o fato de termos na presidência alguém que faz apologia de crime.

    Amarrar e torturar um jovem por ter supostamente roubado um chocolate é mais um sinal de que, embalados pelo ideal de um presidente favorável à tortura, de um torturador em potencial, pois, caminhamos a passos largos para o caminho que ele sinaliza, a barbárie.

    Semanas atrás tivemos o caso das cabeças cortadas em um presídio… Fiquemos atentos aos sinais, cada vez mais fortes, da barbárie batendo-nos à porta.

    A tortura é uma prática a ser combatida. E afastada. O presidente da república tem que ser combatido. E afastado.

    De maneira que ao invés de continuarmos a ouvir suas bobagens, notadamente as que destilam ódio e vulgaridade, passemos a ouvir quem tem propostas para a construção de um mundo melhor, nas quais a paz tenha alguma chance de ser construída.

    Hoje, gostaria de sugerir que ouçamos com mais atenção o que vem defendendo o vereador Banzé, a implantação da APAC em Mariana.

    Se sabemos que só o amor constróe a verdadeira paz, temos, acredito eu, que apoiar a proposta da APAC, não somente em Mariana mas em todo e qualquer lugar.

    De modo que afastemos a tortura (e os torturadores) e promovamos a recuperação dos que estejam em conflito com a lei. Que é o que prescreve aliás em essência, necessário lembrar, o nosso ordenamento legal.

    Entre os entusiastas de primeira hora do sistema APAC temos o vereador Tenente Freitas, o nosso amigo Banzé.

    Nesta reunião ordinária, de 02 de Setembro,

    https://www.facebook.com/CamaradeMariana/videos/2411485292429010/

    o vereador falou ( por volta dos 49 minutos da gravação ) sobre os desafios de momento por que passa a APAC de Mariana. Para o seu registro mais especificamente.

    Falou o vereador de maneira muito rápida, contudo, não permitindo que saibamos direito o que se passa…

    Seria possível, vereador Banzé, explixar-nos em detalhes, em uma das próximas reuniões, os desafios por que passa hoje a APAC em Mariana?

    Defendamos, com Banzé & demais vereadores promotores dos direitos humanos, a APAC!

    Dia 07 de Setembro, levemos para as nossas marchas e desfiles mais esta boa bandeira!

    https://youtu.be/PbLCAU76E4A

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