Conta da Educação Infantil – exclusivo

Marcelo Silva de Souza Ribeiro

O dia 12 de outubro foi o chamado dia das crianças e recentemente, o dia do professor. Mesmo não sendo afeito a produzir mais mensagens e fotos nos dias comemorativos (porque ao ver tantas mensagens, postagens etc. sinto perder o sentido de tecer as possíveis homenagens), não pude deixar de efetuar a seguinte matemática: dia das crianças + dia do professor = educação infantil / professor da educação infantil. Essa espontânea matemática me trouxe de volta um sentido e um vigor para registrar algumas palavras sobre o referido resultado.

Como de costume, mesmo sendo uma homenagem, não me esquivo de um toque crítico. Então, eis aqui minha conta.

Se a educação, ou melhor, os profissionais que nela trabalham, especificamente os docentes, são aqueles que vivem a contradição social de serem representados positivamente (quem vai negar a importância do professor?), mas ao tempo de serem maltratados em suas condições de trabalho (baixas remunerações, difíceis condições no exercício da profissão, etc.), os professores da educação infantil é que vão ocupar o mais baixo estrado da “pirâmide da educação”. No topo, estariam os professores universitários, que tentam se segurar no que podem para não despencarem ladeira abaixo. Em seguida, os professores do ensino médio e fundamental, que labutam na penúria da docência. E os mais miseráveis, aqueles que mal são reconhecidos como professores, os que têm os salários mais baixos e os que apresentam os menores índices de formação (vide dados do próprio Ministério da Educação – MEC/ Brasil), são os docentes da educação infantil.

Aliás, não só os docentes da educação infantil ocupam os mais baixos estratos do mundo do trabalho, mas quase todos os profissionais que se dedicam a infância vão também estar em níveis inferiores se comparados aos outros. Por exemplo: os pediatras se comparados às outras especialidades médicas, os psicólogos infantis se comparados aos psicólogos de adultos e por vai.

Certamente essa “gravidade” que puxa os profissionais dedicados à infância tem gênese histórica. Afinal, a infância, mesmo com todos os reconhecimentos conquistados, ainda parece ocupar um lugar inferior e, simultaneamente, a criança e todos aqueles que dela se aproximam vivem um achatamento de suas condições materiais e simbólicas.

É lamentável esse quadro, sobretudo na educação infantil, pois nesse nível é onde se podem trabalhar as bases da educação do sujeito, toda a formação dos valores e, sobretudo, uma base para formação cidadã e científica. Os professores da educação infantil tem um papel fundamental na formação das crianças e, portanto, recaem sobre eles uma exigência singular de trabalhar os aspectos do cuidar e do educar, na ludicidade natural das crianças, introduzindo-as na mais alta cultura humana e nos processos mais caros de socialização.

Dessa conta (dia das crianças + dia do professor + educação infantil / professor de educação infantil) se contabiliza avanços na realidade brasileira, mas também subtrações que ainda persistem.

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