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Caminhos por uma real utopia: por entre paisagens e sonhos na cidade educadora

Vagner Luciano de Andrade

 

Olhe a paisagem citadina se abrindo à sua volta. Ela expressa realidades e utopias. E certamente um emaranhado de riquezas. Assim, Belo Horizonte tem uma grande diversidade cultural. As pessoas se relacionam direta e indiretamente umas com as outras e também com seus lugares de viver. São lugares do ir e do vir, com paisagens, nuances, cheiros, cores, odores, significados. Elas possuem hábitos e costumes semelhantes ou diferentes entre si, que permitem a convivência pacifica, a resolução de conflitos, a mobilização social e, sobretudo, os sonhos que trazem em si. Sonhos individuais ou coletivos que movem e mudam o mundo. A educação ambiental tem a meta de reunir essas pessoas evocando-as a sonhar conjuntamente com um mundo melhor. E eis que sonhos formaram em prol de uma cidade educadora, inclusiva, diversa, sustentável, empreendedora e interdisciplinar.

O 31 de Outubro é dia para se pensar isso. O folclore materializa a riqueza de um povo e de sua nação. Na capital mineira há eventos marcantes, como comemorações e festas, realizados por grupos sociais que participaram da história dessa cidade centenária. Lendas como Maria Papuda, Loira do Bonfim e Capeta da Vilarinho demostram a riqueza folclórica. Esses eventos tornaram-se tradição material e imaterial e contam um pouco da história e da cultura de outros povos que ajudaram a construir a urbe e seu entorno. “A serra do Rola Moça, não tinha esse nome não”. Foram nas paisagens destes versos singelos que se efetivou a mais importante das unidades de conservação da Grande BH. O parque estadual criado em 27/09/1994 com 4000 hectares é um pedacinho da história de BH.

Além da preservação de uma geodiversidade única, o local preserva espécies primordiais da biodiversidade mineira, com ocorrência de endemismos. São muitos mananciais, mirantes e paisagens para se vislumbrar, encantar e sonhar. A Serra é um importante e singular patrimônio histórico, natural e cultural. A toponímia da mesma registra um evento relacionado a um casamento, que ocorrido numa das localidades obrigou um casal de noivos a atravessar o imponente obstáculo natural e um trágico acidente imortalizou a história folclórica em Belo Horizonte e na região metropolitana. Os sonhos desembarcaram agora no tombamento estadual de toda a Serra do Curral.

Volte ao passado e encante-se. A história da Cidade Educadora de Belo Horizonte começa em 1701 com a chegada de um bandeirante que fundou a fazenda do Cercado. Seu nome, João Leite da Silva Ortiz. A fundação do Arraial de Nossa Senhora da Boa Viagem do Curral Del Rei, somente se deu um pouco depois, da chegada deste pioneiro que acabara partindo para Goiás. O povoado foi nomeado como Belo Horizonte em 12 de abril de 1891. Enquanto isso, os curralenses viviam tranquilamente da agropecuária, nos caminhos entre as Minas e os Gerais. Foi nesta época que o lugar se tornou escolhido para sediar a nova capital, chamada de Cidade de Minas, inaugurada em 1897. Em 1901, o nome Belo Horizonte foi resgatado. Vários motivos foram decisivos para a escolha da região onde seria construída a nova capital. Minas Gerais, inspirada nos ideais republicanos queria novos ares e patamares. Sobre as práticas do passado, desenvolveu-se a sexta maior cidade do país. E entre o ontem e o amanhã, o presente clama por forças e ações, para que a essência da Mineiridade, não se perca no vazio da História.

A história da cidade educadora vai retratar que nos dias atuais, a paisagem não pode ser considerada apenas natural? Basta observar que nos últimos 120 anos, muitas mudanças ocorreram nas paisagens, evidenciando conflitos. Assim, a cidade edudadora é aquela que educa pelas paisagens e suas múltiplas imagens, mensagens e percepções. As duas últimas décadas escreveram novas dinâmicas na capital mineira, sendo as principais, a diminuição das grandes áreas verdes. Educar pela cidade e para a cidade promove a compreensão e reflexão sobre as prováveis interações existentes entre as pessoas e os demais elementos do ambiente citadino. As informações recentes evidenciam que a qualidade de vida na cidade tem diminuído. É necessário protagonizar a formação de agentes que busquem transformar isso.

Assim pensar nos espaços culturais e ecológicos na cidade é promover elos das pessoas com seus locais e paisagens. Será que os moradores de Belo Horizonte se apropriam dos espaços comuns e dos locais públicos? Onde se concentram as atividades de lazer, de esporte, de entretenimento, de socialização e de contemplação? Assim, localidades do entorno metropolitano, como o Rola Moça, permitem visualizar o que os moradores fazem em seus lugares de referência. Basta olhar no mirante e viajar no pensamento. Nos municípios que compõem a Grande Belo Horizonte estão presentes as influências culturais dos povos africanos, camponeses e indígenas enriquecendo a Paisagem Cultural Citadina ampliando a diversidade das manifestações culturais da coletividade brasileira. Embarque na estação da educação para ir além da Real Utopia.

Prédio do Museu de Arte e Ofício de Belo Horizonte- Praça da Estação

Foto: Markito C.


Imagem de destaque: Belo Horizonte vista a partir da Serra do Curral em 2004. Foto: Marina Campos Vinhal.

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