Brasil, país do futuro: incoerências de um país que busca desenvolvimento social por meio da educação. Busca? – exclusivo

Tiago Tristão Artero

O que dizer sobre o fato de estarmos entre os últimos países quando observados os índices de desempenho escolar? O mesmo é notado em relação a todo tipo de violência contra a criança e o adolescente, somos os que obtêm os índices mais preocupantes.

Que país é este que crê ser o país do futuro, mas que, sempre prorroga em anos e em décadas as metas relacionadas à educação e avanço social, como tão bem colocado em apontamentos de Saviani. Logo, país do futuro não é uma figura de linguagem, está colocado no sentido literal.

Um sistema de ensino não pode ser importado de um outro país e implantado, em sua totalidade, em uma cultura diferente. Mas isso justifica não aprendermos com aqueles que, absurdamente, estão à nossa frente no que se refere ao sistema de ensino?

Analisando o que ocorre hoje em nossas escolas, percebo que temos guardas que zelam pela segurança, inspetores que zelam pela ordem, orientadores que atendem os pais, coordenadores que dão suporte aos professores, diretor(a), diretor(a) adjunto, responsáveis pela biblioteca, responsáveis pelo laboratório, equipe de professores, faxineiros em demasia para dar conta da dificuldade em manter a escola limpa, sem falar nos outros profissionais que, em algumas instituições, dão algum tipo de suporte, como psicólogo, psicopedagogo, técnico de enfermagem, entre outros. Mesmo assim… nosso ensino vai mal.

Esse inchaço na máquina escolar, de fato, não é sinônimo de qualidade. Basta olharmos para outros aspectos da cultura presente em outros países, como bancas de alimentos onde o comprador escolhe os produtos, deixa o dinheiro em uma caixa na qual outras pessoas já deixaram outras quantias, em um processo de confiança e coerência. Conseguiríamos imaginar este tipo de situação aqui? Pois, se temos alguém no caixa, outra pessoa para vigiar o estabelecimento, outra para cuidar da contabilidade, quanto isso tudo encareceria o produto? Certamente, “pagamos” por nossas fraquezas como Nação.

Se nossas escolas, como acontece em outros países, não gastasse tanto recuperando paredes danificadas, carteiras estragadas, material didático mal usado, inchaço no número de funcionários que cuidam a displicência dos alunos, pais e dos próprios funcionários, quiçá tivéssemos mais recursos para investir em espaços melhores, melhores equipamentos e capacitação efetiva dos profissionais.

De forma ordenada, soluções para esses problemas são encontradas em outras culturas, ao vermos alunos que cuidam da própria sujeira gerada, dos livros presentes na biblioteca, do espaço físico e dos recursos presentes no ambiente. Já aqui, a justiça interfere até em situações em que o método da reparação é implantado em relação aos danos provocados pelo aluno ao patrimônio. Estamos, sobremaneira, “protegendo” nossos alunos? Em que sentido? Privando-os da responsabilidade dos próprios atos?

Quando a pedagogia dominante diminuiu a autoridade do(a) professor(a) e centrou-se nas necessidades do aluno, por certo, cabe-nos a indagação de quais necessidades estamos falando. As contribuições de Montessori, Piaget são válidas. Isso é inquestionável, mas a falta de rigor com as características mais fundamentais da educação pode ter se perdido nesse processo.

A origem da palavra escola refere-se ao espaço do ócio, ou seja, dos que não estão trabalhando. Lugar destinado ao aprendizado, à preparação. Preparar-se é formar valores, formar atitudes, buscar o bem comum por meio do desenvolvimento social. Nessa preparação estão incluídas as mais variadas visões de pedagogia, a diversidade de manifestações de ensino é positiva.

O que dizer das culturas que, porventura, estranhamos quando vemos os alunos mais velhos auxiliando os mais novos; todos limpando sua própria sujeira; confeccionando sua alimentação; organizando o espaço escolar? É esse tipo de cultura presente em outros países que possibilitam que esses mesmo países tenham baixos índices de violência, mortalidade infantil, delinqüência juvenil; índices invejáveis quando analisamos seu IDH, as tecnologias geradas e… importadas por nós. Estamos falando de países menores que muitos estados brasileiros.

Não falo aqui de competição, mas sim de desenvolvimento social. Ministro, rotineiramente, palestras para professores e estimulo-os dizendo que busquem outros paradigmas, já que, dificilmente iremos piorar, pois estamos com os piores índices sociais, estendendo-se para a educação.

Por isso, questiono-me e questiono a todos que estão lendo esta matéria: estamos, de fato, buscando desenvolvimento social?

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