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Artimanhas e maquinarias políticas do fundo do Baú

Sandro Santos
Joaquim Ramos

Já é lugar comum falarmos do posicionamento historicamente assumido pelos meios de comunicação de massa no que tange a política partidária em nosso país. Também é lugar comum discutir a centralidade das organizações Globo nesse processo. Contudo, outras emissoras de televisão têm buscado a manutenção do status quo. Ao longo deste texto, daremos especial atenção às manifestações recentes do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).

Já há algum tempo, Senor Abravanel – apresentador e empresário brasileiro, popularmente conhecido por Sílvio Santos – vem demonstrando, por meio de diferentes peripécias midiáticas, sua preocupação em apoiar os golpes a nossa democracia. O “Homem do Baú” não deixa de exibir, nos programas de sua emissora de televisão, suas preferências políticas ao realizar campanha explícita a favor da reforma da previdência e apoio incondicional aos despautérios do atual governo que não cansa de retirar direitos da população brasileira, constitucionalmente estabelecidos.

Desde o início deste ano, o “Homem do Baú” tem demonstrado à população sua preferência política pela manutenção do golpe de estado que se instaurou com o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. Tem sido recorrente a presença de pré-candidatos à presidência da República no quadro “Dois dedos de Prosa” do Programa do Ratinho. Neste programa já estiveram Jair Bolsonaro (deputado federal de conduta, no mínimo, questionável) e João Dória Filho (atual Prefeito da Cidade de São Paulo e que se diz avesso à política).

Ratinho – nome artístico do também apresentador e empresário Carlos Massa – ainda protagonizou uma entrevista, diríamos, vexaminosa em que ele e Michel Temer tentaram enfiar “goela a baixo” da população as reformas trabalhistas do atual governo federal, como se elas fossem a panacéia de todos os males políticos, econômicos e quiçá morais da nação. Ratinho ainda tentou convencer os telespectadores de que a reforma da previdência é algo muito benéfico à população brasileira, assim como seu programa.

De lá para cá, diferentes investidas são realizadas pelo patriarca da família Abravanel: a mais direta delas foi a veiculação de peças publicitárias a favor da reforma da previdência a “pedido” do próprio Michel Temer. O SBT, desde o dia 21 de abril de 2017 (após um jantar entre Temer e Sílvio Santos), tem veiculado propagandas próprias em defesa da reforma da previdência nos intervalos da programação. São pequenas peças publicitárias sempre em tom alarmista e direto com frases do tipo: “Você sabe que se não for feita a reforma da previdência você pode deixar de receber o seu salário?” ou “Você sabe que o Brasil quebra se não aprovar a nova lei da Previdência?”, proferidas pelo locutor oficial da emissora.

Na sequência, Senor Abravanel também resolveu brincar com o político: “Quem diria, não? Presidente da República com cara de boyzinho, aí, cara de 20 anos”, disse Silvio Santos.

Importante lembrar que Fernando Collor de Melo, em 1989, venceu as eleições (as mesmas em que Sílvio Santos retirou sua candidatura) com apoio incondicional da mídia televisiva e sob a égide da figura do bom moço, jovem, não político e caçador de marajás – à época metáfora associada aos políticos corruptos. Qualquer correspondência com o presente, nesse caso, parece não ser mera coincidência.

Em meio ao descrédito da classe política, ao mar de corrupção que assola a nação e ao jogo midiático que tenta vender a ideia de que, em última instância, há pessoas que se dizem “não políticos”, mas que são capazes de retirar o país do “mar de lama” em que se encontra, é preciso questionar: qual o interesse do “Homem do Baú” (que em meio à entrevista com o Prefeito da capital paulista alegou ter se candidatado ao cargo de Presidente da República apenas por mera vaidade) em apoiar a candidatura embrionária de Dória a chefe do executivo de nossa nação?

Esse homem vaidoso, que distribui dinheiro em forma de aviãozinho para o seu auditório estabelecendo a midiática política do “pão e circo” deve desconhecer que a governabilidade não ocorre de modo miraculoso, nem tão menos com aspirações mercadológicas (como em uma empresa) ou de modo performático (como em um espetáculo televisivo) – nos moldes como tem feito João Dória, em São Paulo.

É uma afronta à dignidade do nosso povo ter que se submeter novamente a um “capitão do mato”, fabricado pela grande mídia: no lugar de caçador de marajás que Collor assumiu no final do século passado; Dória, hoje, representa o caçador dos dependentes de crack, dos pichadores e dos artistas urbanos. A grande questão que nos resta é: quem caça os políticos escusos, os juízes uni-partidaristas e os empresários inescrupulosos que protagonizam shows de horrores na cena social brasileira?

Porém, a maior empreitada de Senhor Abravanel se deu no último domingo, dia 18 de junho de 2017, ao colocar no ar uma entrevista com João Dória Filho (PSDB. Na entrevista, Sílvio Santos não poupou elogios à absurda e performática gestão que o empresário com aspirações artísticas tem feito na maior capital do país. Sílvio ainda não deixou de fazer referência a uma possível candidatura de Dória à Presidência da República.

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