Aprendizagem de pessoas com deficiência: assunto tabu nas discussões sobre inclusão – exclusivo

Romerito Costa Nascimento

Nos últimos doze anos, a educação de pessoas com deficiência vem tomando grande destaque nos diversos espaços voltados ao atendimento deste público. Sabemos que são diversas as contribuições neste sentido e que ainda há muita coisa a ser discutida. Todavia, é preciso lançar luz sobre uma lacuna que, de acordo com nossas experiências e convivências com estas múltiplas realidades, ainda não foi discutida á contento. Estamos falando aqui, do direito ao aprendizado de qualidade.

Não é nosso objetivo aqui, discorrermos sobre o que vem antes do paradigma da inclusão, sem disconsiderá-lo, é importante que saibamos aprender com o passado seja no que ele nos mostra de ruim ou, como no caso, o que ele nos trouxe de construção e que nos possibilita saber o que sabemos hoje e o que este conhecimento nos possibilitará aprimorar nossas práticas de hoje e de amanhã.

Quando falamos que é nos últimos doze anos, não desconsideramos que esta ideia da inclusão tenha se iniciado neste período. Na verdade, consideramos este pequeno espaço de tempo porque foi nele que se concretizou a reformulação do sistema, incentivando a entrada desse público na escola comum.

Diante de todos estes esclarecimentos iniciais, vamos ao assunto em questão:

Às vezes, em conversa com alguns amigos e conhecidos é comum ouvir a seguinte queixa:

“foi muito complicado entender a matéria que o professor nos ensinou hoje. Fiz várias perguntas, pedi para que ele fosse mais divagar e repetisse mais algumas vezes. Mas ele não ouviu e, no fim da aula, me disse para procurar o instituto (seja ele qual for, vocês deem o nome que desejar) para que lá me ensinasse o conteúdo. Porque ele (o professor), não havia sido preparado para ensinar pessoas como eu.”

Neste pequeno trecho de fala, de uma conversa informal, se tem algumas situações importantes para serem analisadas:

A primeira delas reside na postura incansável deste discente, quando este demonstra querer conhecer. Esta postura está, quase sempre, presente em todas estas pessoas. É muito comum, por não ser ouvido e não ter atendidas suas expectativas com relação a este desejo, muitos desanimarem e se tornarem apáticos. Aí está a importância da formação de professores versar sobre este tema mais detidamente. É preciso que deixemos de oferecer aulas com carga-horária mínima, que trate de inclusão, e passemos á tratar estes casos com mais seriedade. Busquemos oferecer ferramentas palpáveis, práticas articuladas com a teoria, que ajudem o docente se sentir capaz de ministrar uma aula a todos onde todos aprendam.

Outro ponto importante, reside no fato da postura do professor ante este desafio que lhe foi colocado. Há um aluno desejoso do aprendizado e, por mais que o professor não tenha formação suficiente para atender o desejo do discente, é preciso que ele se abra para ir ao encontro do aluno e fazê-lo ter acesso ao conhecimento como os demais colegas.

Para além de tudo isso ainda não são raros a falta de acesso ao material didático específico, ao currículo flexível, falta de acessibilidade física, entre outras, que, interferem sobremaneira no aprendizado deste público específico.

Diante disso, é preciso que deixemos de encarar este assunto levando somente em consideração dados estatísticos de ingresso e comparação dos quantitativos presentes na escola comum e na escola especial e nos preocupemos mais com o que estas crianças, jovens e adultos estão aprendendo, como estão aprendendo e se realmente estão aprendendo. Assim, daremos um salto qualitativo em nossas análises e avaliações sobre nosso “ressente” processo de inclusão.

Toda política pública precisa ser monitorada e avaliada, mesmo que tentem dizer que doze anos é pouco para isso. Pelo que aprendi em minhas poucas aulas de políticas públicas, este monitoramento deve ser constante e as avaliações necessitam de prasos definidos para acontecerem. Todavia, infelizmente, no que toca a política de inclusão brasileira, não se percebe sinais de avaliação.

Quem se habilitaria de estratificar o resultado das provas de avaliação (provinha Brasil, Exame nacional do Ensino Médio, ETC) por deficiência e, a partir dos resultados, firmar o IDEB dos Estados, Municípios e das escolas? Muito provavelmente, não encontrariam dados relevantes, pois este público nem se quer participam dessas avaliações. E, quando participam, são prejudicados pela pouca ou nenhuma acessibilidade, conceito muito presente nas retóricas, mas pouco praticado na realidade.

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