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Acabemos com a escola – Tentativa 3

Dalvit Greiner de Paula

Uma terceira tentativa de acabar com a escola é a internet. Não, não precisamos demonizar a internet por causa disso. A ferramenta é boa, mas sem a mediação do professor – coisa que se faz numa escola – o uso tende a mais deméritos que méritos. O problema está em que as atuais escolas de Educação à Distância estão abrindo mão dos professores e professoras como mediadores e mediadoras do conhecimento. Tais escolas de EAD se apropriaram de um conceito de internet criado pelas empresas “ponto com”, não pela internet como armazenadora, espalhadora e provedora do conhecimento: conceito criado nas Universidades.

Com o advento da internet imaginava-se que o conhecimento giraria o mundo realizando a profecia de McLuhan de uma aldeia global. Todos ligados e interconectados fariam com que, através da rede mundial, o conhecimento e a informação girasse com uma rapidez inimaginável, quando do seu surgimento, fomentando pesquisas e trocas de experiências. Esse futuro imaginado se cumpriu. Revistas acadêmicas, grupos de pesquisa, redes de colaboração estão hoje totalmente interligados e quem não o faz fica atrasado em relação a qualquer ramo da ciência.

Na outra face dessa rapidez inimaginável apareceram as empresas “ponto com” e com elas a Revolução Industrial 4.0 batendo às nossas portas. A internet globalizou e virtualizou as empresas de comércio. Hoje você compra o que quiser consultando preços no mundo inteiro e escolhendo a marca que mais lhe interessa. Claro que estamos falando também de comida e água, coisas que até a pouco se comprava na esquina do bairro. Agora vem pelo celular. Com pedalar e sem paladar. Desempregando, embrutecendo, aborrecendo e retirando uma humanidade que a escola, em seu ócio criativo, custa a construir nas pessoas, já que tempo é dinheiro. E dentre as ofertas das empresas “ponto com”, figura a Escola S.A. Ainda nessa outra face, a possibilidade de qualquer um escrever o que quiser transformando a internet numa terra de idiotas. Idiotas no sentido grego de não estar nem um pouco preocupado com o bem público.

Mas, tem pior. Pior quando as escolas que promovem Ensino à Distância – abre  parênteses: não tenho facilidade em falar de Educação à Distância, principalmente porque o que essas escolas virtuais oferecem é ensino. Educação é obtido com relacionamento real. Fecha parênteses – e o que move esse ensino são técnicas capitalistas: obtenção do máximo de mais-valia para oferecer uma mercadoria mais barata possível para ser consumida rapidamente, cumprindo a sua função. Cumprida a função da mercadoria, comprar mais: muitas pós-graduações. Com o discurso da rapidez e da eficiência, com nenhum cuidado com o estudante, o que interessa é oferecer o curso de Pedagogia por R$ 49,90 ao mês. Curso que vai criar profissionais que vão se relacionar com crianças reais. Sem mediação física, o que as escolas de ensino à distância vem tentando fazer é acabar com a escola real. Com um custo muito inferior e um sem-número de estudantes, o ensino deixa de ser afetivo para se tornar, financeiramente, efetivo. O problema é que muitos governos têm querido embarcar nessa ideia apenas pelo custo do ensino à distância.

Mas, uma escola é uma comunidade e a principal característica de uma comunidade é que ela tem que, necessariamente, ser real, onde os seus integrantes se olhem para conversar, dialogar e debater de forma não descartável. Ensino à distância pode e deve se tornar uma escola, mas para isso a internet tem que se tornar apenas uma ferramenta de aproximação, não de fazer dinheiro.


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