Os Pesquisadores Jean Pierre Schatzmann Peron, Do Instituto De Ciências Biomédicas (ICB), E Patricia Cristina Baleeiro Beltrão Braga, Da Escola De Artes, Ciências E Humanidades (EACH) Falam Sobre A Pesquisa "The Brazilian Zika Vírus Causes Birth Defects In Experimental Models" Desenvolvida Por Eles Na Universidade De São Paulo (USP). (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Dia Nacional da Ciência: Homem x Natureza ; Mulheres e a Medicina tropical no Brasil

Um dos eixos temáticos da programação do Dia da Ciência era o Casos sobre ciências e cientistas que, entre outras atividades, incluiu as mesas “A relação entre o homem e natureza” e “As mulheres e a medicina tropical no Brasil: muitas histórias por contar…”

No dia 8 de Julho são comemorados o Dia Nacional da Ciência e o Dia Nacional do Pesquisador Científico. A data foi decidida porque também marca o aniversário da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). 

Neste ano, diversas instituições científicas, incluindo a SBPC, se mobilizaram para manifestar e celebrar os cientistas e suas diversas descobertas. Claro que essa mobilização foi online devido à pandemia causada pelo novo Coronavírus. O evento proporcionou diversas mesas de debates e manifestações culturais durante todo o dia, com convidados de diversas partes do Brasil.

Um dos eixos temáticos da programação era o Casos sobre ciências e cientistas que, entre outras atividades, incluiu as mesas “A relação entre o homem e natureza” e “As mulheres e a medicina tropical no Brasil: muitas histórias por contar…”.

A primeira contou com a presença dos Professores José Geraldo Pedrosa e Liléia Diotaiuti . O professor começou sua fala apontando como o antropocentrismo pode ser visto como um preconceito e talvez seja uma das maiores ameaças do século XXI, pois ver a natureza como uma coisa insignificante é um caminho perigoso e tem sido a causa de muitos dos nossos problemas atuais e dos problemas que ainda estão por vir. José Geraldo também disse que apesar de muitas vezes o Homem se ver como um ser fora da natureza, esta se revolta, não apenas na forma de desastres naturais, mas  também de problemas como ansiedade e dependência química, que também vêm dessa relação com a natureza e a forma como se tem vivido nos dias atuais. Para o professor a mudança necessária pode se dar ao vermos a natureza como um sujeito e por mudanças na democracia, no consumismo, na relação com o trabalho. 

A professora Liléia discorreu um pouco sobre a relação entre a natureza e a doença de chagas. Liléia iniciou sua fala descrevendo brevemente a história da doença e a história da busca de Carlos Chagas. Ela aponta a relação entre a doença transmitida pelo barbeiro e a intimidade humana, pois as principais colônias estão dentro da casa, sobretudo em casa de pau a pique e nas madeiras de camas e de telhados, por exemplo. A casa humana é um ninho com características muitos estáveis e com bastante comida, sejam os humanos, cachorros e outros animais mais visíveis ou aqueles que muitas vezes não se vê, como os ratos. As árvores que ficam pertos das casas são um grande risco, e a professora também aponta as rochas que muitas vezes ficam perto das casas, sobretudo no contexto da caatinga. Mas o foco da professora é a intimidade dos lares, onde o perigo para os humanos é maior. Por fim, a professora faz um paralelo com as mudanças climáticas, devido às quais várias espécies têm perdido o ambiente propício a elas na natureza e, por isso, os vetores têm se espalhado e se aproximado cada vez mais dos seres humanos. 

A segunda mesa trouxe a pesquisa de Polyana Valente e Denise Pimenta, que tem como foco a vida de diversas mulheres que foram de suma importância para a construção da ciência e medicina tropical. A introdução foi feita apresentando um pouco sobre a trajetória de Virginia Schall, pesquisadora e educadora, com forte atuação na divulgação científica no Brasil, sobretudo em relação ao seu trabalho na Fundação Oswaldo Cruz. Polyana então explicou que a ideia do trabalho veio justamente a partir da pesquisa sobre a vida de Virginia  e do anseio de saber se existiam poucas mulheres na história da ciência no Brasil ou se era apenas uma falsa impressão. O início do trabalho foi um mapeamento das mulheres na medicina tropical e logo após um recorte foi feito das mulheres na área de Educação e Saúde. 

Então a pesquisa se aprofundou nos os artigos e descobertas feitas por mulheres no período de 1950 a 1980, onde a concepção de doenças na medicina tropical foi se modificando. Em geral eram mulheres da classe média e, no início, quase todos os seus trabalhos tinham tutorias masculinas, principalmente entre casais, e depois foi acontecendo uma emancipação nas produções. Ela cita mulheres como Betas Lourdes, Maria Cecília, Maria Lourdes e a professora Alda Falcão que foram pioneiras em publicações em periódicos brasileiros.  A produção de mulheres em periódicos entre os anos 50 e 80 eram de apenas 21% do total e, dentre esses, 71% dos artigos foram com tutorias masculinas.

Polyana então expõe algumas reflexões a partir desses dados, ela provoca o público a ter mais pesquisas sobre mulheres nas ciências. Hoje já existem muitas mulheres cientistas em áreas muito diversas e as palestrantes citam a importância de também humanizar essas mulheres. Por fim, o que existe não é a falta de produção, mas sim a invisibilização das mulheres nesse mercado e o grande desafio se encontra em conseguir acessar e trazer de volta à luz a história dessas mulheres. 

Matheus Augusto

Imagem de Destaque: Rovena Rosa/ Agência Brasil

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