Superficie De Marte – European Space Agent

O que você levaria para Marte?

Painel do Pint Of Science virtual 2020 expõe as problemáticas da exploração espacial

Devido à pandemia de Covid-19, o Pint Of Science 2020 ocorreu virtualmente entre os dias 11 e 13 de Maio. E para seu encerramento o evento trouxe nesta quarta-feira a Doutora em Biotecnologia e com atuação no laboratório de Astrobiologia na USP, Ana Carolina Souza Ramos de Carvalho – também conhecida como Carola – no painel intitulado O que você levaria para Marte? para pensar nas formas que o ser humano poderá chegar a marte e o que seria importante levarmos para lá. 

Carola iniciou o painel explicando o seu trabalho no laboratório de Astrobiologia na USP, onde estuda a origem, a evolução e o futura da vida no Universo. Ela explicou como essa área da ciência estuda as hipóteses de como a vida poderia existir fora da terra: para pensar nessas hipóteses, cientistas tomam como referência a existência de seres extremófilos – seres que conseguem sobreviver em condições que seriam prejudiciais a maior parte de seres vivos da Terra. O foco de seu projeto Spacebeer Project dentro do laboratório é criar ferramentas para levar ou produzir cerveja em Marte. 

Depois desse momento inicial, Carola começou o assunto mostrando uma indagação que fez em seu Instagram perguntando a seus seguidores o que eles levariam para Marte. E a partir disso mostrou as problemáticas que envolvem a discussão, no caso de tentar fazer cerveja em marte, você precisaria da cevada e para isso precisa-se saber como é o solo de marte, se existe água lá, qual a condição dessa água entre outras questões. Ademais, ela frisou que todos esses questionamentos que parecem inofensivos são pensamentos importantes na área da exploração espacial que deve pensar em como levar diversos instrumentos e objetos para fora da Terra. E para isso existem muito investimentos na produção de objetos que sejam leves e baratos o suficiente para serem levados. 

Carola também falou sobre o projeto Garetea-L, um projeto feito para testar como diversos seres extremófilos reagem num ambiente parecido com o de Marte. Para isso são enviados balões para a estratosfera e, a partir da reação dos microrganismos no balão, é possível saber se eles sobreviveriam  ou não em Marte. Ela também comentou que esse projeto tem uma área educativa onde crianças de diversas escolas podem se inscrever e mandar diversos projetos pensando em objetos e materiais que poderiam ser usados no espaço. As três melhores ideias são mandadas para estação espacial Garatea.

Foi a partir desses experimentos que Carola descobriu que as leveduras Saccharomyces cerevisiae são extremamente resistentes em ambientes inóspitos e, além disso, são extremamente versáteis, podendo nos proporcionar desde diversos tipos de álcool até proteínas, sendo assim uma fonte de proteína muito mais segura e viável do que a ideia de colônias de insetos, por exemplo. Elas também são importantes na indústria de biotecnologia, sendo que sem esse tipo de leveduras não haveria a produção de álcool  em gel, um produto muito precioso nesse período. 

Por fim, a noite se encerrou com Carola respondendo diversas perguntas relacionadas à definição e origem da vida, sobre como os corpos humanos reagem no espaço e discorreu sobre a relação da quarentena e do isolamento social e de viver sozinho em Marte. 

 

Matheus Augusto de Araújo

Imagem de destaque: European Space Agent/DLR/FU Berlin, CC BY-SA 3.0 IGO/Fotos Públicas

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