Nem isolados e nem surtados

O que o comportamento animal pode falar sobre esse período de isolamento social? Foi essa a proposta da videoconferência Isolados e Surtados: o comportamento de humanos e animais isolados no Pint of Science que foi ao ar quarta feira.

Os convidados para a conversa foram o professor de zoologia Eduardo Bessa da Universidade de Brasília, especialista em comportamento animal, e o Ronaldo Pilati professor de Psicologia social da Universidade também da universidade de Brasília. A proposta foi discutir justamente os limites comportamentais entre animais e humanos em situações de isolamento social, ou como apontado pelo professor Ronaldo Pilati, distanciamento social.

Eduardo Bessa falou sobre a sua experiência ao acompanhar animais em situações de isolamento, especialmente no impacto comportamental decorrente das alterações em dinâmicas de relações entre animais. Ele destacou o stress a que muitos animais ficam submetidos ao terem esses dinâmicas comprometidas bem como a exposição a situações de isolamento.

Bessa destacou alguns condicionantes dessas situações bem como ausência do estímulo dos sentidos, alterações nas rotinas chamada de cronobiologia e ausência de relações sociais, sendo esses alguns cenários que estamos lidando durante a pandemia de coronavírus no Brasil e no mundo. 

Já o psicólogo social Ronaldo Pilati ficou responsável por responder a pergunta “Estamos surtados?” Sem antecipar a resposta Ronaldo destacou a capacidade plástica do comportamento humano, sem descartar que a espécie humana divide similaridades com outras espécie, parceiros de evolução. 

Para Ronaldo o cenário da pandemia traz muitos desafios, mas também revela o nível de capacidade da montagem de estratégias. “Somos capazes de produzir adaptações”. Diante de um cenário que tende a se estabelecer a médio prazo. Ronaldo aponta que o distanciamento social não impede as interações sociais, como as virtuais por exemplo. 

Portanto, podemos concluir, que não estamos nem isolados e nem surtados. Estamos enfrentando dia a dia os desafios do distanciamento social com a nossa capacidade comportamental plástica apesar das nossas similaridades com outras espécies de animais. 

Vanessa Macêdo

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