O Cenário da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil

Mesa realizada pela SBPC na Marca Virtual Pela Ciência 2020 discutiu financiamento, incentivo, políticas públicas e mobilizações pela CT&I

Foto: Yolanda Assunção

O funcionamento do sistema de Ciência e Tecnologia brasileiro sucinta questões sobre políticas públicas, financiamento, incentivo, formação e etc. Levantar e analisar alguns desses questionamentos foi a intenção do painel “A CT&I no Brasil – Sucessos e Desafios”, realizado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) na Marcha Virtual pela Ciência 2020. A mesa, realizada por videoconferencia e transmitida ao vivo, reuniu diferentes perspectivas sobre o cenário de C&T.

Coordenada pelo Presidente SBPC, Ildeu Moreira, o debate foi apresentado pela Superintendente do Institudo Euvaldo Lodi Nacional (IEL) e diretora de Inovação da Confederação Nacional das Indústrias, Gianna Sagazio e pelo Presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), Fábio Guedes Gomes. De pontos de vista diferentes os apresentadores abordaram o investimento em ciência, tecnologia e inovação. Para Fábio, é fundamental destacar como o orçamento das fundações de amparo seguem caindo e que isso afeta profundamente o estabelecimento e fortalecimento do sistema de CT&I, e seu ritmo constante de inovação. Gianna também destacou a estrutura frágil de investimentos conduzida pela ausência de políticas públicas que atuem nessa questão. Ela também destacou a diferença de investimentos registrada no Brasil em comparação com outros países. Para ela, a fração do PIB brasileiro destinada à inovação é muito baixo, o que leva ao enfraquecimento da indústria.

Essa comparação entre a porcentagem do PIB investido em inovação também foi um ponto destacado por outro debatedor, o professor Carlos Henrique de Brito Cruz, docente na UNICAMP e conselheiro da FAPESP. Ele lembrou que, em outros países, boa parte desse investimento é feito pela iniciativa privada, e voltado para ela mesma, com a construção de laboratórios dentro das próprias empresas. Nesse sentido, o professor destacou a importância de que o Estado crie formas de organização desse sistema e que incentive o diálogo de indústrias e empresas de inovação com as universidades.

Destacando o lugar da universidade nesse cenário, o debatedor João Carlos Salles Pires da Silva, reitor da Universidade da Bahia e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), destacou o valor da pesquisa básica para o fortalecimento da cultura científica.  Para ele, o sistema de Pós graduação é uma chave para o desenvolvimento, opinião compartilhada por Flávia Calé, presidenta da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), que ainda chamou atenção para a valorização de todas as áreas de conhecimento. Roberto Muniz, presidente da Associação dos Servidores do CNPq (ASCON), também apontou a importância de formar quadros de pesquisadores as pessoas, para assim, o país alcançar autonomia na produção.

Pensando na perspectiva de formação de pessoal e condições favoráveis para o desenvolvimento de CT&I, o economista e coordenador das Ações de Prospecção da Fiocruz, Carlos Gadelha,  reforçou que todo recurso destinado à  Ciência, Tecnologia e Inovação é rigorosamente investimento, pois sempre gera retorno.  Esse retorno também foi destacado por Ildeu Moreira, que citou diversos casos de pesquisas desenvolvidas no Brasil que geram renda ou economia para os cofres públicos. Os resultados e a força do sistema de C&T também foi apontada pelo presidente da Academia Brasileira de ciências, Luiz Davidovich, especialmente nesse momento de crise sanitária e política que atinge o Brasil. Ele comentou sobre como este cenário demonstra que o sistema de ciência e tecnologia está vivo, apesar dos constantes cortes de gastos.

O cenário de redução de investimentos foi um ponto crucial defendido por Celso Pansera, representante da Iniciativa para Ciência e Tecnologia no Parlamento. Pansera destacou a luta constante de entidades, parlamentares e indivíduos na defesa pela manutenção do orçamento para CT&I.

Confira o debate completo:

Marcha virtual pela ciência

Realizada desde 2017 em todo mundo, a Marcha pela Ciência mobiliza pesquisadores pela valorização da ciência e de cientistas, tanto em relação ao investimento financeiro em pesquisa quanto contra a onda de anti cientificismo que se espelha. Em 2020, devido á pandemia de COVID-19, a Marcha no Brasil foi realizada virtualmente, com debates, apresentações e atividades culturais. As entidades se organizaram regionalmente e a SBPC realizou dois painéis nacionais para discutir questões mais amplas da produção científica.

Yolanda Assunção

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