Jornalismo de educação na era da desinformação

  • A jornalista e historiadora Marta Avancini falou sobre divulgação científica, fake news e as novas dinâmicas do jornalismo

Marta Avancini durante fala na Faculdade de Educação/UFMG

Na última quarta-feira (2), dia de mobilizações pela educação no país todo, o Observatório e o Pensar receberam a historiadora e jornalista Marta Avancini para discutir a cobertura de educação atualmente. Editora pública da Associação de Jornalistas em Educação (Jeduca), Marta participou de atividades na Faculdade de Educação (FaE/UFMG) e na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich/UFMG).

Na FaE, a jornalista foi a convidada de um café promovido pelo Pensar e pelo comando de greve da unidade. Em meio à roda de conversa, temas como a formação dos jornalistas, fake news e as novas dinâmicas do jornalismo foram tema de debate. 

Na segunda parte da manhã foi realizada a conferência “O jornalismo de educação na era da desinformação”, organizada pelo Observatório. Dividindo o tema com o 3º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, aqui foram discutidos assuntos como divulgação científica, a relação da mídia de referência com as instituições de ensino e o papel do jornalismo tradicional na formação de opinião.

O jornalismo de educação é um nicho que vem recebendo cada vez menos destaque. Jornais que dedicavam até cinco páginas de seus cadernos para a educação, hoje mal contam com uma seção em suas versões digitais. Falando sobre a crise de reformulação do jornalismo, Marta diz que a solução mais imediatamente apontada – uma mudança dos formatos – não é a melhor saída. Migrar todo o conteúdo para podcasts, por exemplo, não reconquista a credibilidade jornalística, tão balançada nos últimos anos.

A conferência realizada pelo Observatório compôs as atividades das paralizações desta semana

Nessa reformulação de dinâmicas do jornalismo, Marta diz que o jornalismo de educação está próximo do científico e que seguir por este caminho é uma forte possibilidade. A importância da análise de dados, da voz dos especialistas e profissionais é a mesma aqui ou lá. O ponto das vozes, inclusive, foi bastante forte nos dois momentos de fala da jornalista, que destacou resultados da pesquisa “Mídia e educação: uma análise da cobertura jornalística (2016-2017)”. A pesquisa ANDI/UNESCO aponta que mais da metade das matérias sobre educação têm como fonte o poder público, enquanto uma parcela ainda muito pequena ouve professores e estudantes, por exemplo. Para Marta Avancini é preciso se atentar à multiplicidade de vozes e rever as inclinações ao jornalismo declaratório, alimentado e grande parte por aspas de impacto produzidas por políticos.

A conferência ainda passou por outros números, pesquisas e reflexões acerca do lugar que o jornalismo de educação ocupa hoje. A conferência pode ser assistida no canal do Pensar no Youtube.

Maria G. Lara

Fotos: Yolanda Assunção

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