Ciência agita centro de Belo Horizonte

Comemorações do Dia Nacional da Ciência da capital mineira reúnem pesquisadores, curiosos e instituições de pesquisa no CRJ

No último dia 8 de julho a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência celebrou 71 anos. A data, que anos depois foi a inspiração para a criação do Dia Nacional da Ciência e do Dia Nacional do Pesquisador, é marcada pela luta pela consolidação de uma cultura científica no Brasil e, nos últimos anos, pela realização de diversas atividades pelo país destinadas à popularização da ciência. 

Dezenas de cidades, instituições e iniciativas brasileiras promovem mostras, feiras e eventos públicos para que pesquisadores, setores públicos e toda a população tenham a possibilidade de fazer e falar de ciência juntos. Para o presidente da SBPC, o professor Ildeu de Castro Moreira, este espaço de diálogo faz parte do processo de luta e valorização do fazer científico. “O objetivo da data é trazer os cientistas, estudantes, pesquisadores e professores para dialogar com a população. Mostrar que a ciência é bonita, é importante, é relevante pra todo mundo. E que certamente queremos batalhar também para que tenha políticas públicas adequadas para melhorar a educação no país, para melhorar a saúde das pessoas, para melhorar a qualidade de vida das cidades, para preservar o meio ambiente… Tudo isso faz parte da ciência e nesse dia, ao mesmo tempo que comemoramos, também trazemos as reivindicações e aquilo que sentimos que declara o deve ser mudado no nosso país”, declarou o físico. 

Em Belo horizonte, um grupo de instituições assumiu a missão de realizar as atividades do Dia da Ciência, no último dia 6, sábado. Para proporcionar uma maior participação da população, UFMG, UEMG, CEFET-MG, Fiocruz Minas, FAPEMIG, FUNED, Espaço do Conhecimento, Santa Casa de Belo Horizonte e o Museu de Artes e Ofícios preparam uma enorme programação no Centro de Referência da Juventude, no coração da Capital Mineira. Durante todo dia o espaço dedicado a ampliar a formação, o conhecimento, as oportunidades e as habilidades que auxiliem na inserção social dos jovens da Grande BH respirou ciência. Na programação, apresentações musicais, oficinas, palestras, competição de robôs, rodas e conversas e a exposição de trabalhos realizados em diversas instituições, públicas e privadas, do ensino médio à pós graduação. 

Diante do cenário de cortes no financiamento na pesquisa e de discursos, especialmente entre lideranças políticas, que descredibilizam o conhecimento científico, pesquisadores e instituições se mobilizam para demonstrar a função do  e o lugar da ciência no bem estar da população. Dentre os trabalhos apresentados, os pesquisadores mostravam como as pesquisas concluídas e em constante desenvolvimento buscam melhorar a vida urbana e os cuidados com a saúde, desenvolver políticas e tecnologias de preservação ambiental, promover iniciativas de valorização das pessoas e muitas outras coisas. A secretária regional da SBPC em Minas Gerais, a professora Adelina Martha dos Reis, comentou sobre como a mobilização junto à população agrega pessoas na defesa da educação. “Nesse momento, a situação da ciência no Brasil é crítica! As universidades estão com corte de verbas, os órgãos que fomentam e financiam a pesquisa sofreram grande redução de financiamento, os pesquisadores estão ficando desanimados, então a produção do conhecimento está em risco nesse momento. Por isso precisamos mostrar para a população que a ciência é fundamental para a vida de todos, se isso não for entendido haverá cada vez mais contingenciamento, mais cortes de recursos. A Ciência é de todo mundo, todo mundo tem que lutar por ela”, afirmou.

Para a pesquisadora Claudia França, professora do CEFET e coordenadora do Projeto Sociologia, Filosofia e Artes (SoFiA), que realiza ações de popularização da ciência em comunidades de Belo Horizonte, “É muito bacana estar junto dos nossos colegas divulgadores de ciência e conhecer o que eles estão fazendo. Estar no CRJ é um presente, tanto para a academia quanto para a população. Porque é um espaço aberto, onde qualquer pessoa pode entrar. Estamos fazendo ciência de qualidade, produzindo conhecimento de qualidade e a população tem que saber isso. Precisamos ir até a sociedade, conversar com a população” comentou a pesquisadora. 

A programação de Belo Horizonte integrou a comemoração nacional realizada em diversas cidades pelo Brasil.

 

Yolanda Assunção

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