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7º Fala Ciência!: comunicação da ciência em cenários de crise e cultura maker

Palestrantes Rennan Mafra (UFV) e Polyana Inácio (UFMG) falaram sobre as crises da contemporaneidade e sobre a ascensão da cultura maker durante o evento realizado na Fapemig.

No último dia 27, quinta-feira, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) recebeu a 7ª edição do Fala Ciência!, o curso rápido sobre divulgação científica para divulgadores da CT&I, pesquisadores, estudantes e interessados no tema, promovido pela Rede Mineira de Comunicação Científica (RMCC). Na sede da Fapemig, a manhã foi marcada pelas falas do professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Rennan Mafra, e da pesquisadora da Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Polyana Inácio Rezende Silva.

Na abertura do evento, Vanessa Fagundes, da RMCC, destacou a importância de refletirmos sobre a importância do debate sobre comunicação da ciência no momento político que atravessamos, em que tantos ataques são feitos a fim de descredibilizar as instituições científicas. Ela ainda destacou a pesquisa do INCT-CPCT publicada na última semana, que aponta que sim, existe interesse e espaço para divulgar ciência para os jovens.

A fala de Rennan Mafra foi marcada por reflexões sobre o lugar da comunicação da ciência (e da divulgação científica) frente às crises que enfrentamos hoje. Durante a palestra intitulada “Comunicação (da ciência) em momentos de crise”, o professor traçou um panorama das crises político-sociais que nossa sociedade vem atravessando para visualizar que lugar a comunicação da ciência estaria ocupando. Segundo o professor, vivemos divididos entre a modernidade e a contemporaneidade, o que nos leva a uma crise das instituições modernas – sendo elas o Estado, o mercado e, claro, a ciência.

Mafra contextualizou a condição de países latinoamericanos, em especial do Brasil, em relação às crises da democracia e do tempo. O professor também destacou a importância de entender a Comunicação como uma área de saberes, e não apenas um aparato técnico-político. Ele ainda alertou para a postura que ele chamou de ingênua por parte dos pesquisadores ao tratar a comunicação como “uma benção ou um desastre”. A comunicação sozinha não pode salvar a ciência dos efeitos das crises que enfrentamos, tampouco é a causadora de todos os males da contemporaneidade.

Polyana Inácio Silva, por sua vez, trouxe um diálogo sobre “Cultura Maker, Ciência(s) e Tendências tecnológicas: experiência criativa com a tecnologia na contemporaneidade”. A pesquisadora da UFMG, que hoje está na Comunicação mas começou sua vida acadêmica na Computação, nos convidou a refletir sobre o futuro e o presente da tecnologia à nossa volta através da popularização da cultura maker – ou do DIY, do faça-você-mesmo. Silva falou dos Fablabs (laboratórios de fabricação digital) e makerspaces como espaços de criatividade e de autonomia, popularizando o acesso à execução e desenvolvimento de tecnologias das mais diversas, o que antes ficava limitado às indústrias.

A pesquisadora destacou a importância desse movimento que preza pelo compartilhamento de ideias e pela autonomia no desenvolvimento, algo que contrapõe alguns de nossos problemas na relação com a tecnologia digital – como o vício em smartphones e o medo da perda de nossa autonomia para os algoritmos que dominam o espaço digital. Assim, essa subcultura que se espalha, seja em espaços físicos como os Fablabs ou digitais como o Pinterest e o YouTube, estimulam a criatividade e fortalecem múltiplas delegações nas “relações entre ciências, tendências tecnológicas e entidades criativas”.

O Fala Ciência! é um evento anual promovido pela Rede Mineira de Comunicação Científica em parceria com a FAPEMIG e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e no segundo semestre será realizado em Diamantina, no interior do estado.

Maria G. Lara

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