69 Reuniao SBPC

Vamos falar de ciência com quem?

Estamos às vésperas da 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, um dos maiores eventos científicos da América Latina. Durante os últimos meses, docentes e discentes da UFMG, anfitriã do evento este ano, tiveram suas caixas de emails bombardeadas, o campus se encheu de outdoors, os ônibus foram adesivados e duas estruturas gigantescas foram erguidas em frente a Reitoria. Parece que agora, mais do que nunca, temos infraestrutura suficiente para receber em nossa Universidade, pessoas de todos os cantos para discutir sobre ciência, seus caminhos, suas demandas e seu impacto no cotidiano de toda sociedade.

O que se espera é que cientistas, professores e estudantes de todos os níveis e visitantes, circulem pelo campus durante os sete dias de evento, afinal boa parte das atividades são abertas ao público. Mas o público está sabendo disso?

Não é preciso ir muito longe para descobrir a resposta. Nem mesmo alunos de pós-graduação da universidade, quando questionados pela reportagem, sabiam o que eram os galpões instalados às margens da reitoria. Os emails enviados à comunidade acadêmica não têm despertado muito o interesse. Pouco se sabe sobre o evento entre os discentes. Pessoas que trabalham na Praça de Serviços, em volta da qual serão realizadas diversas atividades da programação, por exemplo, não fazem a menor ideia do que está acontecendo na Universidade, mesmo com toda a divulgação visual dentro do campus.

Com a comunidade externa à universidade não é diferente.Tatiana é analista de sistemas, trabalha em uma empresa a menos de 100 metros de uma das portarias da Universidade e não sabia sobre o evento. “Sou uma pessoa que gosta de estar constantemente estudando sobre o assunto (ciência). Já faz parte da minha vida. Atualmente estou estudando sobre mecânica quântica. Então assim, sou bem curiosa nessa parte”, declarou. Para Tatiana o evento estará incentivando a população a saber mais sobre ciência, mas ela não poderá participar porque o horário do evento coincide com o seu horário de trabalho.

O horário também é um problema para Adilson, mecânico que trabalha ao lado da portaria da Universidade instalada na Avenida Abraão Caram, mas não pode participar de nenhuma das atividades durante o dia. Ele não sabia do evento que está para acontecer na sua vizinha UFMG, mas sabia de eventos relacionados a ciência que aconteceriam no Rio de Janeiro. Para Adilson, a ciência hoje é tudo, para ele a “nossa vida está melhorando graças a ciência”.

A ciência é a roda que move o mundo. Seja no trabalho, na saúde, ou na resolução de pequenos problemas do dia a dia, existe ciência, somos implicadas(os) e impactadas(os) pela ciência. Por isso, a reunião da SBPC deve ser também acessível a um público mais ampliado, diverso e que não transita no ambiente acadêmico.

 

Thacyane Martinelli

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