Qual o limite do investimento de nossas elites na desigualdade?

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Por Luciano Mendes de Faria Filho

Hoje é um dia muito triste para todos(as) que sonham e lutam com um Brasil menos desigual e mais democrático! Quis a fortuna que a aprovação da PEC 55 se desse no mesmo dia da publicação do AI 5, símbolo do terror implantado no Brasil pelo militares e civis que perpetraram o golpe de Estado de 1964. Dia triste, pois, duas vezes, que será lembrado em nossa história!

Enquanto ganharam horrores de dinheiro nos governos Lula e Dilma, para não dizer nos governos anteriores, os mesmos grupos empresariais e políticos que depuseram a Presidenta e, que, em seguida avançaram contra nossos direitos, ainda toleram as políticas que visavam elevara a Brasil a patamares mínimos de civilidade política, econômica e social. Digo toleravam porque, na verdade, jamais aceitaram e, muito menos, apoiavam de fata as políticas de combate às desigualdades e de reconhecimento e promoção das diferenças, fossem elas quais fossem.

Cessado o tempo de “bonança” e advinda a crise, os mesmos grupos impuseram à sociedade brasileira os mesmos patamares de violência, exploração e exclusão com que sempre garantiram seus privilégios baseados na desigualdade e no combate permanente a qualquer tipo  de organização e avanço social e político das camadas mais pobres da sociedade.

Diante do descalabro nefasto aprovado no Congresso Nacional hoje, e que será promulgado na quinta feira pelos presidentes corruptos das duas casas parlamentares, há que se perguntar qual será o limite do investimento de tais grupos na desigualdade e na entrega de nosso patrimônio a grupos estrangeiros. Que pais, de fato, tais grupos estão projetando?

Há momentos em que penso que tais sujeitos que apoiam de forma deliberada, consciente e ativa o desmonte do Estado e o fim das políticas públicas, projetam um futuro em quem nem eles nem seus descendentes morarão no Brasil. Todos, talvez, projetam vive num autoexílio – em Miami? – mantido a expensas da exploração do torrão nata entregue à administração de lacaios, capitães do mato e esquadrões da morte!

No entanto, saber se será esse um futuro projetado para depois dos 20 anos da PEC 55 ou se já o estamos vivendo  hoje, eis aí  uma questão importante!

Ao fim e ao cabo, como todos sabemos, o único limite ao investimento de nossas  elites na desigualdades será a ação organizada daqueles e daquelas que defendem um país melhor para TODOS NÓS, e não para alguns poucos e privilegiados! Outros(as), muito antes de nós, já fizeram isso, e nos cabe, agora, dar continuidade a essa luta. “Havemos de amanhecer!”, profetizava Drummond em plena 2a. Guerra!  “Amanhá será outro dia“, cantava Chico Buarque em plena vigência do AI!

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