No banquete do golpe, a quem são servidas as migalhas?

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Por Luciano Mendes de Faria Filho

Tenho acompanhado nos últimos dez anos a “relação” da imprensa com a educação e posso afirmar que a cobertura melhorou muito. Apesar de ainda ser pequeno o número de jornalistas especializados em educação (vida longa à JEDUCA!), a própria proliferação de fontes de informação, dentre outras coisa, obrigou a imprensa é melhorar a cobertura sobre o tema. Certamente que há mais coisas, mas paro por aqui.

 No entanto, é no momento de perigo que a gente vê para que lado pendem os sujeitos – pessoas, coletivos, instituições… – que ocupam o, que se ocupam do,  espaço público. E, no caso brasileiro, uma leitura das posições no “momento de perigo”,  mostra claramente que a imprensa não apenas apoiou o golpe, mas dele participou ativa e ferozmente.

Isso tudo é um preâmbulo para dizer do quanto é importante, agora, analisar a cobertura que a imprensa continua fazenda da educação, sobretudo no que se refere a PEC 241 e ao projeto da escola sem partido. Nos últimos dias tenho lido textos de jornais e site como do Estado de Minas, FSP/UOL e das Organizações Globo com uma cobertura aparentemente “isenta” sobre o problema, inclusive com algumas “inclinações” de crítica ao impacto que elas podem ter na educação pública.

É como se, passado o banquete (o Golpe) feito e patrocinado por elas, inclusive para garantir benesses estatais como já foi amplamente noticiado nos blogs independentes, essas empresas querem nos servir as migalhas, na forma de textos que explicitam algum receio dos rumos que tomará a educação no governo Temer e na  perspectiva de seus apoiadores mais diletos. Mas não era pra isso que participaram do golpe?

 Talvez essa mesma reflexão possa ser feita em outra seara também: a da relação do MEC com as Universidades a propósito das políticas para a educação básica. Enquanto com uma mão o governo golpista e, logo, o MEC, fazem tudo que pode para aprovar medidas, como a PEC 241, a MP do Ensino Médio etc, como enorme efeito destrutivo da educação pública, com a outra continua convidando as universidades para operarem pequenos projetos de formação de professores e coisas do tipo.

 O problema não é apenas que essa mão é traiçoeira, como já vimos. É que convence  as universidades à  participação com as migalhas da festa, enquanto o banquete do acesso aos recursos da educação e saúde é servido a outros senhores e senhoras. Temos que ter clareza de que não somos, mais, como previsto, os principais parceiros do MEC na operacionalização das políticas da educação. Uma posição tão somente pragmática nesse momento pode ser mais desastrosa do  que construtiva.

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