[Eleições UFMG 2017] A quem interessa a eleição para a Reitoria?

CADEIRA DO REITOR 01

Por Luciano Mendes de Faria Filho

A universidade entrou de férias, ainda que esteja acontecendo a SBPC e muitos de nós estejamos presente no Campus Pampulha ao longo de toda  a semana. E entrou sem que a discussão sobre a eleição para a Reitoria parecesse importar a muita gente.  Talvez seja isso mesmo e haja muitas outras urgências que precisemos tratar. E, afinal, outubro está muito distante!

Mas, me parece um engano achar que é só  a distância no tempo e os graves problemas que enfrentamos as explicações para o pouco interesse que desperta a eleição para a direção máxima da universidade. De um modo geral, e considerando que a universidade é um microcosmo altamente escolarizado e informado, a participação nas eleições, seja nos debates, nas discussões com as chapas e, sobretudo, na votação, é aquém do que poderíamos esperar.

Podemos observar no quadro abaixo, relativo ao segundo turno das últimas eleições (infelizmente o mapa da apuração do 1º turno não está mais disponível), que o interesse pelo  pleito é desigualmente distribuído entre os três seguimentos eleitorais.

Apuração

Percebe-se, pelo mapa, que enquanto 71,47% dos docentes aptos a votarem compareceram às urnas, apenas 9,54% dos estudantes o fizeram. O percentual de comparecimento dos TAEs, 55,19,  é substantivamente maior do que o dos estudantes, mas está bem abaixo daquele dos professores.  Mas chama a atenção que mesmo entre os docentes, 28,53% deixaram de votar. Esse contingente seria suficiente para mudar os rumos da eleição já que a diferença entre as chapas ganhadora e perdedora foi, entre os docentes, de apenas 33 votos, ou seja, de 1,1% dos professores aptos a votarem.

 Há que se perguntar pelas razões que levam tão grande número de “eleitores” a não comparecerem às urnas. Entre os alunos e funcionários, é plausível a hipótese de que o fato de seus votos, no conjunto, valerem apenas 30% do total gere um certo desinteresse em participar. No entanto, mesmo considerando que o raciocínio de fundo seja verdadeiro, o quadro acima demonstra que a eleição foi, de fato, definida pelos TAEs que, de forma expressiva, optaram pela chapa 2.

Certamente há outras razões para o não comparecimento  de um número tão alto de “eleitores” na votação. Mas se considerarmos que também nas discussões e debates que ocorrem ao longo da “campanha” o interesse é pequeno, talvez seja hora de pensar que, de fato, muito dos alunos, professores e TAEs considerem que as eleições não afetam suas vidas e que, portanto, participar ou não, não  faz muita diferença. Nesse caso, a indiferença em relação às eleições para a Reitoria, mais do que revelar um alheiamento, revelaria uma crença na pouca importância da administração central no estabelecimento dos rumos da universidade. Será?

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