Curitiba 30 De Agosto De 2018. Mais De Cinco Mil Educadores Da Rede Pública Estadual Do Paraná Recordam Os 30 Anos De Violência Do Dia 30 De Agosto, Quando Foi Atacada Pelo Governo De Álvaro Dias. Foto Gibran Mendes

Escola Pública e Democracia

Editorial do Jornal Pensar a Educação em Pauta nº 256

A autorização e a demanda por violência são das marcas mais expressivas dos grupos autoritários como os que vêm, paulatinamente, ocupando ostensivamente o espaço e as instituições públicas no Brasil. Dois episódios ocorridos esta semana em Belo Horizonte demonstram cabalmente que as agressões à ordem democrática ocorrem à luz do dia e com a conivência de instituições que deveriam contribuir para o seu fortalecimento.

No primeiro episódio, ocorrido na Câmara Municipal de Belo Horizonte, professoras(es) da Rede Municipal de Educação e defensores da educação democrática foram fisicamente agredidas(os) pela segurança do próprio legislativo municipal quando se manifestavam contra a aprovação de uma proposta que beneficiaria o auto denominado Movimento Escola Sem Partido.  Noutra situação, um tradicional colégio privado, e religioso, de Belo Horizonte anulou uma prova de português depois que um grupo de pais reclamou que ela continha um texto com críticas ao Presidente Bolsonaro.

Ambos os acontecimentos são gravíssimos. No primeiro caso, não apenas pela agressão física, por si só um coisa condenável sob todos os aspectos, mas também porque se trata das dependências do legislativo municipal, justamente a instituição que deveria garantrir, e valorizar, a livre manifestação política. No segundo caso, é alarmente, apesar de não surpreendente, que mais uma vez as instituições de ensino adotem posições de cerceamento da ação docente e, sobretudo, tomem uma postura de blindagem de um Presidente da República notoriamente inimigo da democracia e dos direitos.

O recurso à violência física, a censura aos professores e a infantilização de jovens que já possuem a maioridade eleitoral como se fossem crianças, são engajamentos em projetos nitidamente autoritários que,  infelizmente, colocam  no mesmo partido a Câmara Municipal de Belo Horizonte, o Colégio Loyola de Belo Horizonte e o Movimento Escola Sem Partido. Ao mesmo tempo, tais episódios e posicionamentos nos lembram a importância da luta por uma escola pública e laica como dimensões fundamentais de qualquer projeto político-cultural inclusivo, defensor e promotor das diversidades que nos constituem.

A postura do Colégio Loyola mostra que as instituições privadas, mesmo aquelas que se dizem partidárias da democracia e das instituições democráticas, se curvam aos argumentos e às práticas autoritárias quando os seus lucros correm perigo. É por isso também que a existência de uma escola pública, laica e de qualidade para todos e para todas é a única condição que temos para podermos disputar os fundamentos, os métodos e os conteúdos de formação das novas gerações que não seja autoritária e excludente. O que está em jogo na luta pela escola pública, laica e diversa não é apenas a formação de novas gerações mais justas e democráticas; é a sorte da própria democracia que se joga nesta luta.


Imagem de destaque: Gibran Mendes