XII Seminário Anual Pensar a Educação, Pensar o Brasil

– 2018 –

“Mídias, Educação e Espaço Público”

Experiências de educação na comunicação: o desafio da construção de projetos no cenário público
Coletivo Terra Negra e Associação Imagem Comunitária
29/11/2018
Fechando as discussões com o tema Mídias, Educação e Espaço Público, recebemos duas experiências de comunicação e educação: o coletivo de professores Terra Negra e a Associação Imagem Comunitária (AIC). Os projetos que atuam em Belo Horizonte e outros lugares do país e do mundo compartilharam a experiência e os desafios da elaboração de iniciativas que se estabelecem na relação entre educação e comunicação fazendo uso das mídias tradicionais e digitais. A conferência Experiências de educação na comunicação: o desafio da construção de projetos no cenário público discutiu a presença desses projetos em meio a outras instâncias educativas, inclusive a própria escola.

Educação Política na Contemporaneidade: o Compromisso com a construção do mundo comum
Marina Murphy e Ademilson Soares
25/10/2018
Às vésperas do segundo turno das Eleições de 2018, a conferência discutiu o lugar da escola nos processos democráticos hoje em dia, principalmente considerando a atual estrutura de comunicação que integra a esfera pública. Para realizar a discussão, foram convidados os professores Ademilson Soares, o Paco, da Faculdade de Educação da UFMG e Marina Murphy, servidora da Secretaria de Educação do Estado do Maranhão. O professor Paco iniciou as reflexões destacando a participação das Redes Sociais no Espaço Público. Já a professora Marina Murphy, a apartir da sua experiência em sala de aula, buscou destacar a busca pela autonomia dos estudantes na construção de um ambiente democrático. 

Mídias, Educação e Espaço Público
Regina Helena Alves da Silva
27/09/2018
O clima de tensão e debate publico que antecede as eleições foi um gatilho na discussão proposta pela professora na sua conferência. A partir desse cenário e da ideia de caldo cultural – repleto de referências, pensamentos, crenças e narrativas – no qual estamos imersos, ela destacou a produção e a reprodução de informações nos dias de hoje. Com destaque para as tão faladas “fake news” sua fala trouxe a tona a estrutura cultural na qual essas informações nascem, crescem e reproduzem. A pesquisadora apontou como acabou sendo imbuído aos educadores, e ao ambiente escolar como um todo, a missão de ensinar crianças e adolescentes a lidar com tamanha quantidade de informações e a partir de quais princípios e elementos podem se posicionar.

Educomunicação, Transleitura e Processos de Mediação
Maurício Guilherme
30/08/2018
O pesquisador destacou que a educomunicação não pode ser vista como uma mera ferramenta ou tecnologia para ser usada no ambiente escolar ou comunicacional a fim de adestrar indivíduos para lidar com as diversas mídias ou para ilustrar processos educativos. Para o pesquisador, a educomunicação é um espaço autônomo, no qual os indivíduos devem constantemente pensar em novas narrativas e novas formas de ocupação. Para isso, Maurício destaca a ideia de ‘transcriação’, na qual os sujeitos munidos de todas as suas experiências e conhecimentos atreladas às mediações ao seu redor são capazes de ir além do simples consumo de informações. A transcriação não apenas faz com que a pessoa decodifique a mensagem recebida, ela também transforma essa mensagem de acordo com suas vivências e necessidades, cria novos significados sobre elas.

Corrupção da opinião pública e a falta de uma comunicação como prática da liberdade
Ana Paola Amorim (Cerbras/UFMG)
28/06/2018
Provocada pela pergunta “Como as mídias comunicam sobre a educação e como o debate sobre a educação se estabelece no espaço público?” Ana Paola voltou sua fala para a dimensão política da comunicação ou a dimensão comunicativa da política, encarando “comunicação e política como conceitos que se configuram mutuamente”. Para ela, o cenário que temos em nosso país é de uma mídia predominante comercial, antidemocrática, privada, oligopolizada que segue orientações de mercado.  Além disso nosso sistema de mídia trata os direitos civis, políticos e sociais sob a ótica do privado, ou seja, relegando-os ao segundo plano. Frente a este cenário, el reforça a importância da reflexão sobre as condições objetivas que organizam o sistema de comunicação que temos hoje no país.

Reflexões pós-panópticas sobre vigilância e consumo na sociedade da classificação
Andrea Versuti (UNB)
24/05/2018
Andrea iniciou sua fala contextualizando a discussão que parte do artigo de mesmo nome da conferencia e de autoria da própria Andrea e do professor Prof. Dr. Marco Aurélio Rodrigues da Cunha e Cruz, (UNOESC – SC). O artigo está presente no livro Privacidade e proteção de dados pessoais na sociedade digital, organizado por Regina Linden Ruaro, José Luis Piñar Mañas e Carlos Alberto Molinaro. A professora explicou que se antes na concepção de um modelo panóptico, predominava a centralidade do olhar e uma vigilância estável e imóvel representada por grandes corporações. No modelo pós-panóptico esse olhar está pulverizado entre os sujeitos. A sensação não é mais de vigilancia e medo, mas de acolhimento e liberdade de escolhas individuais.

Democratização da Comunicação e Cidadania
Sandra Tosta (UNA-BH) e Florence Poznanski (FNDC)
26/04/2018
O Seminário propôs o debate sobre como a educação é mobilizada nos diversos suportes de mídia e como esta relação possibilita a atuação no espaço público. Em sua fala no nosso Seminário, Sandra destacou historicamente como as chamadas mídias audiovisuais foram se estabelecendo como mercado cultural no Brasil. Ela destacou, ainda, a ditadura militar como responsável pela ampliação e consolidação do mercado e o paradoxo de um regime de exceção ampliar consideravelmente mídias como a TV. Florence Poznanski relembrou o histórico de ações em torno da ampliação dos sistemas de comunicação no país. Florence lembrou que Roquette Pinto e Assis Chateubriand trouxeram a ideia da conformação da comunicação no país atrelada a noção de formação nacional, dando relevo a noção de um contexto brasileiro para a entrada das comunicações em território nacional.

Educadores e Intelectuais Públicos: Construindo outras Narrativas
Nelson Pretto (UFBA)
22/03/2018
Nelson Pretto iniciou sua fala questionando o espaço institucional da universidade na contemporaneidade em sua concepção. Nelson Pretto citou o livro do Felipe Serppa ”Rascunho digital”, em que define este espaço como uma coorporação de estudiosos regidos pelo princípios de democracia e autonomia, responsável por abrigar a polissemia de saberes do conhecimento. Essa concepção apresentada pelo professor se dá pelo diagnóstico de que a universidade como espaço de cultura está se perdendo no contemporâneo. E propõe pensarmos no intelectual público a partir de uma concepção radical do pensamento, ou seja, da atuação no espaço público. Para Nelson Pretto a perda da rebeldia deste espaço significa a perda da possibilidade de outras narrativa.